Tomas Munita/The New York Times
Tomas Munita/The New York Times

Torre Eiffel e Louvre são reabertos

Monumento que é símbolo do país ganha luzes com cores da bandeira francesa, mas Paris ainda vive sob clima tenso e medidas de segurança

Jamil Chade, ENVIADO ESPECIAL / PARIS, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2015 | 00h20

Em um dos pilares da liberdade de pensamento do Ocidente, a Sorbonne, as aulas retomaram ontem sua programação, que estava suspensa desde os ataques do Estado Islâmico (EI) em Paris na sexta-feira. Apesar da aparente tentativa de voltar à normalidade, professores e alunos foram avisados de que todos seriam vigiados e teriam suas bolsas revistadas.

Nesta segunda-feira, pela primeira vez desde os atentados, escolas, prédios públicos e faculdades abriram suas portas. Os parisienses teoricamente voltariam a sua rotina depois de um fim de semana de trauma.

Às 7 horas, a linha 4 do Metrô estava lotada. As lojas estavam abertas e os cafés, lotados ao meio-dia. A Torre Eiffel voltou a ser aberta e estampou as cores da bandeira francesa. Cartazes escritos à mão e colocados nos locais dos ataques mandavam recados aos terroristas. “Vocês nunca vão acabar com a minha liberdade”, dizia um deles.

Mas o clima pesado ainda reinava. Na Gare du Nord, uma das maiores estações de trem da Europa, soldados caminhavam fortemente armados entre os passageiros.

Em um colégio público na região de Saint Germain, o barulho das vozes das crianças apenas abafava um clima de tensão entre os pais. Muitos deles, que normalmente deixam seus filhos caminharem sozinhos ao local, fizeram questão de levá-los até a porta das classes. “Eu prefiro saber o que está de fato acontecendo”, contou à reportagem Marie Parisot, mãe de duas meninas, de 11 e 9 anos. “Elas normalmente andam sozinhas para a escola, que fica a três quadras de casa. Hoje, achei melhor acompanhá-las.”

Se em janeiro, depois dos atentados contra o Charlie Hebdo, as escolas haviam se limitado a colocar em cada sala de aula um cartaz com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e uma instrução de que o caráter laico da escola deveria ser respeitado, desta vez, as medidas foram além.

“Em razão da necessidade de fortalecer as medidas de segurança, eu anuncio que os controles serão reforçados em todos os locais da universidade”, explicou o presidente da Universidade Sorbonne Nouvelle, Paris 3, Carle Bonafous-Murat, em uma carta aos alunos.

“Os membros da segurança foram instruídos a verificar de forma sistemática as carteiras de estudantes e carteiras profissionais – e proceder em uma verificação de bolsas.”

Giovanna Saba, brasileira que estuda na Sorbonne, afirmou ao Estado que as providências de segurança foram redobradas no local. “Antes, os alunos tinham acesso à faculdade por diversas portas. Hoje, todos entraram por uma única entrada”, disse. “Ninguém escapa da vigilância.”

Mas a direção da instituição insiste que não limitará suas operações em razão dos atentados do EI. “Neste momento de incerteza e dor, é importante que a universidade continue fiel a seus valores, que não se deixe intimidar pelo terror e manifeste sua determinação em continuar seu trabalho de análise e de criação”, afirmou Murat.

Homenagem. Ao meio-dia, o país parou para um minuto de silêncio e para ouvir o presidente François Hollande falar ao Parlamento. Nas academias de ginástica, até as máquinas foram desligadas. As operações do metrô foram interrompidas e as pessoas foram orientadas a deixar os celulares desligados.

Hollande fez questão de estar presente no momento da homenagem justamente na Sorbonne, ao lado de jovens, muitos das mesmas idades daqueles que morreram na sexta-feira.

Quando a Marselhesa, o hino francês, tocou, não foram poucos os que desabaram em lágrimas no momento em que o refrão chegou ao trecho “Às armas, cidadãos”.

Mas, nos bares e conversas nas calçadas, o debate tinha como tom central o que os ataques significariam para a vida cotidiana das pessoas.

A cidade que faz parte do imaginário coletivo do Ocidente também fez questão de lançar um desafio até mesmo ao apelo das autoridades para que as pessoas evitassem circular pelas ruas. Hoje, o sindicato de restaurantes convocou todos os cidadãos a sair para jantar. A campanha "Tous au Bistrot” (Todos ao Restaurante) espera ver os locais lotados na noite de hoje.

Tudo o que sabemos sobre:
ParisLouvreEiffel

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.