Torrijos: ampliação do Canal permitirá um país melhor

O presidente panamenho, Martín Torrijos, afirmou que a ampliação do Canal do Panamá, aprovada neste domingo em plebiscito, permitirá a "construção de um país melhor", com menos pobreza e desigualdade social."Fomos protagonistas do nosso destino, fundamos as bases para construir um país melhor para todos", disse Torrijos em mensagem divulgada pela cadeia nacional de rádio e televisão, após a confirmação da vitória do "sim".Agora se abre a possibilidade de "superar a vergonha de ter um país no qual 40% de seus filhos vivem na pobreza", acrescentou o governante.Torrijos enfatizou que "os benefícios do Canal servirão para saldar a dívida social e melhorar as condições de vida de muitos" panamenhos, e assim "conseguir um país com justiça social, com metas e objetivos comuns".O presidente destacou também que o referendo foi um "exercício democrático exemplar". "Tomamos uma decisão histórica, talvez a mais importante que esta geração tomará", disse.Torrijos ressaltou que o projeto de expansão foi aprovado "apenas seis anos depois" de, em 1999, o Panamá assumir a administração do Canal, uma vez que os Estados Unidos, que o construiu e administrou desde 1914, o reverteu em aplicação dos Tratados Torrijos-Carter.Durante estes anos de administração panamenha, "o Canal foi cuidado com eficiência, capacidade e transparência", acrescentou. "Decidimos sem ingerências estrangeiras o que queremos fazer com nosso Canal e nosso futuro", disse Torrijos.Segundo os dados preliminares do Tribunal Eleitoral (TE), 78,08% dos panamenhos que acudiram às urnas foram favoráveis ao projeto de ampliação e 21,92% contra, após 94,76% dos votos apurados.No entanto, foi registrada uma alta taxa de abstenção, já que apenas 43,57% dos 2,1 milhões de eleitores inscritos votaram. O projeto de ampliação do Canal do Panamá consiste na construção de um terceiro jogo de eclusas para aumentar sua capacidade de transporte e seus serviços ao comércio mundial, mediante um investimento de US$ 5,25 bilhões.Segundo a Autoridade do Canal do Panamá (ACP), agência estatal autônoma que administra a via, a expansão ocorrerá entre 2007 e 2014,gerará cerca de sete mil empregos diretos e aumentará em seis vezes, até 2020, a receita da faixa interoceânica, que atualmente éde pouco mais de US$ 1 bilhão anuais.

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