Torturador argentino pode deixar disputa

Patti, ex-policial acusado de abusos durante a ''''guerra suja'''', tem candidatura ao governo de Buenos Aires contestada

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

A candidatura de Luis Patti, ex-delegado de polícia e torturador da ditadura (1976-1983), ao governo da Província de Buenos Aires, corre o risco de ser impugnada. Ontem (quinta-feira), parentes de três vítimas da ''''guerra suja'''' entraram com um pedido de impugnação na Junta Eleitoral. Segundo o pedido, Patti não tem ''''idoneidade moral'''' para apresentar sua candidatura. Os parentes das vítimas contam com o apoio de diversas ONGs, entre elas o Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels), as Mães e Avós da Praça de Maio.As eleições para governador de Buenos Aires se realizarão paralelamente à votação presidencial, em 28 de outubro. Patti é candidato pelo partido de direita Paufe (Partido da Unidade Federalista). Nas pesquisas, aparece em terceiro lugar, com entre 10% e 14% das intenções de voto. Ele apóia a candidatura presidencial de Alberto Rodríguez Saá, que representa uma ala dissidente do Partido Justicialista (Peronista) contra a candidata do governo, a primeira-dama Cristina Kirchner.Nas eleições parlamentares de 2005, Patti foi o deputado mais votado, com 400 mil votos. No entanto, foi impedido de assumir depois que um grupo de organismos de defesa dos direitos humanos entrou com um pedido de impugnação. O Congresso acatou a petição e impugnou a posse.Nos anos 90, Patti foi prefeito da cidade de Escobar, na Grande Buenos Aires. Durante seu mandato, emitiu um decreto que proibia beijos de casais de namorados em praça pública.PROTESTOSNa noite da quarta-feira, manifestantes protestaram na cidade de Jujuy contra o militar da reserva Luciano Benjamín Menéndez. Ele foi levado à cidade para prestar depoimento sobre torturas e o assassinato, em 1976, de uma professora primária. Menéndez é acusado de ter ordenado a morte de centenas de pessoas no centro e norte da Argentina nos primeiros anos da ditadura.

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