Torturador do Khmer Vermelho pede para ficar em liberdade

Advogados argumentam que a prisão sem julgamento transgride a lei internacional e cambojana

Efe,

21 de novembro de 2007 | 04h19

O chefe dos torturadores do Khmer Vermelho, Kang Kev Iev, o Duch, acusado de crimes contra a humanidade, compareceu nesta quarta-feira, 21, pelo segundo dia consecutivo, ao tribunal internacional. Ele pediu para ser libertado e denunciou uma suposta detenção ilegal. Os advogados que defendem Duch, detido desde maio de 1999, argumentam que a detenção de seu cliente sem julgamento transgride a lei internacional e cambojana, e é uma violação dos "direitos humanos". Duch, que era o diretor da brigada especial encarregada de interrogar os detidos no centro de Tuol Sleng, em Phnom Penh, é um dos cinco destacados membros do Khmer Vermelho que foram acusados de crimes contra a humanidade pelo tribunal promovido pelas Nações Unidas. Cerca de 2 milhões de pessoas morreram entre 1975 e 1979 por causa da fome e de doenças, e devido aos expurgos ordenados pela cúpula do Khmer Vermelho. Entre os cambojanos que assistiram à audiência estava Chum Mey, uma das 10 pessoas que sobreviveram às torturas praticadas em Tuol Sleng. A testemunha escutou em silêncio o discurso do advogado de Duch, de 66 anos e convertido ao cristianismo. "Estes são dias grandes para mim. Sinto que pelo menos algo está sendo tentado para que começar a fazer justiça" disse Mey no corredor de acesso à sala do tribunal. Segundo Mey, os outros nove sobreviventes de Tuol Sleng "estão doentes demais para assistir à audiência". A decisão sobre o pedido de liberdade deve ser anunciada no fim deste mês ou começo de dezembro, disse o porta-voz do tribunal.

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