Toscani lidera campanha contra a pena de morte

Oliviero Toscani, autor das fotospolêmicas nas propagandas da Benetton, está lançando, juntamentecom organizações não-governamentais, uma iniciativainternacional para a acabar com a pena de morte no mundo. Atualmente, 73 países ainda possuem a pena de morte nos seussistema legais, incluindo governos com sistemas políticosopostos, como Estados Unidos, China, Afeganistão, Iraque e Cuba.Outros 14, incluindo o Brasil, limitam a pena em casos detraição durante períodos de guerra declarada. A iniciativa liderada por Toscani tem como objetivo convenceros governos de que a pena de morte não é a solução para oproblema da violência. "Não é questão de religião, sistemapolítico, educação, tradição ou cultura. A questão é que todossabem que matar é errado", afirma Toscani. A idéia de se engajar nessa campanha começou quando Toscanirealizou, em 2000, uma série de fotos em seis prisões nosEstados Unidos. Na época, parte das fotos foram usadas pelaBenetton e agora passam a fazer parte da campanha das ONGs."Fiquei chocado com o olhar dos prisioneiros nos corredores damorte. Todos eles tinham o mesmo drama em suas expressões: odrama de uma vida fracassada e o drama de não ter futuro",afirma o fotógrafo italiano. Toscani quer agora fotografar outros corredores da morte emoutros países, como na China. Ele espera que, assim, possasensibilizar as autoridades a abolir a prática. Toscanicaracteriza os corredores da morte como filmes. "O problema éque, quando nos damos conta de que não se trata de um filme,entramos em pânico", diz. Para Toscani, a pena de morte não é apenas um problema paraos países que ainda a praticam, mas para todos. "Não queropertencer à humanidade que ainda executa e que consideraassassinatos legais parte da solução de problemas ", afirma ofotógrafo. Se na maioria dos países que contam com o recurso da pena demorte o debate é praticamente proibido, a situação nos EstadosUnidos começa a mudar. Há dois anos, uma pesquisa mostrou que80% da população norte-americana apoiava a pena de morte. Nesteano, o apoio caiu para 60% graças à crescente consciência de quegente inocente estaria sendo executada legalmente. Nos últimos 25 anos, foram executadas 708 pessoas nos EstadosUnidos. 95 pessoas que estavam no corredor da morte foramlibertadas após uma segunda avaliação dos casos.

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