Christian Buettner/Eikon Nord GmbH Germany/via REUTERS
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Total de migrantes mortos no 1º semestre de 2016 cresce 23%

Dramática evolução da quantidade de óbitos é explicada, segundo a Organização Internacional das Migrações, por um aumento das mortes no Mar Mediterrâneo, no Norte da África, no Oriente Médio e no Chifre da África

O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2016 | 17h27

GENEBRA - O número de migrantes mortos no mundo na tentativa de buscar uma vida melhor, longe da violência ou da pobreza, atingiu os 3,7 mil, a grande maioria no Mediterrâneo, nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 23% se comparado ao mesmo período de 2015.

De acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), o total de mortes do primeiro semestre de 2016 quando comparados aos dados de janeiro a junho de 2014 aumentou em 53%. A dramática evolução da quantidade de óbitos é explicada, segundo a OIM, por um aumento das mortes no Mar Mediterrâneo, no Norte da África, no Oriente Médio e no Chifre da África.

O número de mortes em outras regiões do mundo se manteve estável com relação a 2015, enquanto no Caribe e no Sudeste Asiático o total de mortes diminuiu. Das 3,7 mil mortes contabilizadas no primeiro semestre deste ano, 78% foram no Mediterrâneo, quando em 2015 elas representavam 60%.

A grande maioria dos casos aconteceu na rota do Mediterrâneo Central (Líbia-Itália), que compreende centenas de quilômetros, enquanto a do Mediterrâneo Oriental (Turquia-Grécia) tem apenas 12 quilômetros. Quanto à rota do Mediterrâneo Ocidental (Marrocos-Espanha), entre janeiro e junho, morreram 45 imigrantes, o triplo com relação ao mesmo período de 2015.

Na América Central, mais de 200 pessoas morreram neste período na tentativa de chegar aos Estados Unidos, embora o relatório da OIM admita que existem muitas vítimas sem registro. A maioria morreu no trem que cruza o México, conhecido como "La Bestia". No entanto, a porcentagem desceu consideravelmente com relação ao ano anterior.

Em 2015, 60% das pessoas na América Central perderam a vida em acidentes relacionados ao trem, enquanto esse número desceu este ano para 37%. Outra forma de fazer a travessia é por meio de traficantes de pessoas ou em viagens a pé ou de carro, mas neste caso a apuração dos dados se torna mais difícil.

"Temos claro que o número de quase 200 mortos no primeiro semestre do ano não reflete a realidade, que deve ser muito maior. É muito difícil registrar. Detectamos que cada vez mais os imigrantes fazem a travessia em veículos, há muitos acidentes, e muitos mortos, mas é difícil identificar os imigrantes", explicou, em entrevista coletiva, o porta-voz da OIM, Joel Millman. / EFE

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