Total de mortos em ataques na Nigéria vai a 143

O número de mortos na violência em Kano, na Nigéria, subiu ontem para 143. Na sexta-feira, ataques coordenados com bombas contra as forças de segurança e tiroteios provocaram o caos na região. Ontem, as ruas da segunda maior cidade nigeriana amanheceram cheias de cadáveres.

KANO, NIGÉRIA, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h05

As primeiras informações, na sexta-feira, falavam em 28 mortos, mas ontem, no necrotério de Kano, já haviam chegado cerca de 143 corpos, em sua maioria com marcas de tiros. Do lado de fora, centenas de pessoas aguardava para recolher os parentes.

O governo impôs um toque de recolher de 24 horas em Kano, localizada no norte do país, de maioria muçulmana. Segundo autoridades locais, pelo menos delegacias de polícia, escritórios de imigração e edifícios do governo, um prédio do serviço secreto, foram os principais alvos da ação, atribuída ao grupo terrorista islâmico Boko Haram.

No ano passado, o grupo realizou três atentados de grande porte. Durante as eleições presidenciais de abril, 16 pessoas morreram em um ataque a um centro de votação. Em agosto, o grupo atacou um escritório da ONU em um prédio de cinco andares na capital, Abuja. A ofensiva deixou 24 mortos.

Em novembro, na ação mais violenta do ano, militantes armados abriram fogo em Damaturu, matando mais de cem pessoas. Ao todo, em 2011, o Boko Haram, que no idioma hausa, falado no norte nigeriano, significa "A educação Ocidental é pecado", matou mais de 500 pessoas na Nigéria. Na última década, estima-se que os conflitos tenham deixado 12 mil vítimas.

O grupo tem aumentado suas ações violentas nos últimos meses. De acordo com especialistas, o objetivo é desestabilizar a coexistência entre muçulmanos e cristãos no país.

A onda de violência atual em Kano, segundo o principal jornal do norte da Nigéria, é uma retaliação do Boko Haram pelo fato de o governo não ter autorizado a libertação de vários de seus integrantes.

Caos. "Estou caminhando pelas ruas de meu bairro", disse à agência France Presse Naziru Mohamed, que vive em Kano em uma rua muito próxima do quartel da polícia, um dos alvos atacados na sexta-feira. "Entre a minha casa e a delegacia, nesta rua, contei 16 cadáveres no chão, entre eles seis policiais."

A Nigéria, país mais populoso da África, com cerca de 170 milhões de habitantes, é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O território nigeriano está dividido entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, predominantemente cristão.

Há cerca de dez anos, 12 Estados do norte do país adotaram a sharia (lei islâmica). O Boko Haram, no entanto, exige a adoção da sharia em todo o país. O radicalismo e a violência já fizeram com que o grupo passasse a ser conhecido como o "Taleban nigeriano". / AFP e REUTERS

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