TPI emite novo mandado de prisão contra presidente sudanês

Acusado de crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur, Bashir ainda deve responder por genocídio

Afp e Ap, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2010 | 00h00

HAIA

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ontem um segundo mandado de prisão contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, acrescentando acusações de genocídio. O primeiro mandado, emitido em março do ano passado, acusa Bashir por crimes de guerra e contra a humanidade, entre eles, assassinato, extermínio, tortura e estupro, durante a guerra em Darfur.

Bashir, no poder há 21 anos, é o primeiro chefe de Estado em exercício a ter uma ordem de prisão expedida pelo TPI. As novas acusações referem-se às supostas tentativas de exterminar civis de três grupos étnicos ? as comunidades fur, masalit e zaghawa ? ordenadas pelo presidente sudanês.

Bashir nega que tenha armado as milícias pró-governo, conhecidas como Janjaweeds (cavaleiros do diabo). Ele é acusado de "genocídio por morte, genocídio por lesão corporal ou mental grave e genocídio por imposição deliberada (por criar condições de vida a um grupo que cause sua destruição)", segundo declaração divulgada pelo tribunal. O segundo mandado não substitui nem revoga o primeiro.

O tribunal em Haia, criado para julgar crimes de guerra, não possui força policial e depende da cooperação dos países para prender os acusados. Desde o primeiro mandado de prisão, Bashir deixou de fazer algumas viagens para evitar a prisão, visitando apenas países aliados.

A crise em Darfur deixou mais de 300 mil mortos, segundo a ONU. Cerca de 2,5 milhões foram forçados a deixar suas casas. O governo diz que os números são exagerados.

A violência começou em 2003, quando tribos da região se rebelaram contra o governo, a quem acusaram de privilegiar os árabes. Os Janjaweeds, com a anuência do governo, massacraram o movimento rebelde. /

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