Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!

Cenário: David Brooks / NYT

O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h06

A classe média baixa branca ainda constitui o maior bloco do eleitorado americano. É um grupo bastante variado de eleitores, mas seus membros compartilham certas convicções e experiências. Os republicanos colhem seus votos, mas também não têm correspondido às suas necessidades. Os luminares do partido em geral são republicanos de formação universitária que têm uma visão de mundo mais individualista.

Entra em cena, então, Rick Santorum. Neto de um mineiro de carvão e filho de um imigrante italiano, Santorum representa as cidadezinhas da região do aço, no oeste da Pensilvânia. No ano passado, foi menosprezado o tempo todo pela imprensa, mas trabalhou incessantemente, visitando de picape mais de 370 pequenas cidades. Nos comícios, gosta de contar com grande fervor sua história de trabalho árduo e da falta de respeito das elites.

Sua visão de mundo não é individualista nem secular. O livro de sua autoria, It Takes a Family (É preciso ter uma família), está embebido dos ensinamentos sociais da ala católica conservadora. Ele também não representa a ala empresarial ou financeira do partido. Pretende reduzir os gastos públicos e quer uma reforma fiscal, mas em seus discursos procura sempre confrontos com os partidários da economia de mercado e zomba das iniciativas de ajuda a Wall Street.

É difícil saber como será sua campanha depois do avanço tardio que ele está tendo em Iowa, mas acho que engrenará, antes de ser enterrada debaixo de uma onda de dinheiro e de propaganda negativa.

Se você pegar um candidato da classe média trabalhadora da direita, como Santorum, e um candidato da classe média trabalhadora da esquerda, como o senador Sherrod Brown de Ohio, e encontrar alguns pontos em comum, poderá ganhar esta eleição de maneira esmagadora. Os EUA não querem uma eleição entre dois acadêmicos de Direito de Harvard. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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