HANNAH MCKAY | EFE
HANNAH MCKAY | EFE

Trabalhista vence e Londres terá primeiro prefeito muçulmano

Sadiq Khan, filho de paquistaneses, vence na capital, mas Partido Trabalhista perdeu representação no país

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2016 | 22h53

PARIS - O trabalhista Sadiq Khan, de 45 anos, será o novo prefeito de Londres – o primeiro muçulmano a assumir o poder de uma grande capital europeia. A vitória do candidato do Partido Trabalhista foi por larga vantagem, 44% a 35%, frente a Zac Goldsmith, do Partido Conservador.

No entanto, o resultado escondeu uma derrota nacional da legenda de centro-esquerda, que perdeu representação em todo o país. Na Escócia, onde por décadas foi a força dominante, os trabalhistas caíram para o terceiro lugar.

As eleições regionais tinham por objetivo definir os nomes de 2,7 mil novos vereadores de 124 cidades, os prefeitos de Londres, Liverpool, Bristol e Salford e a formação dos Parlamentos nacionais da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte. A vitória de Khan foi reivindicada pelo Partido Trabalhista no início da noite, quando o resultado parcial apontava 44% contra 35%. O total ainda deveria ser confirmado pelas autoridades eleitorais.

“Parabéns a Sadiq Kahn. Mal posso esperar para trabalhar com você para criarmos juntos uma Londres mais justa para todos”, comemorou o líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, que brincou: “Yes, we Khan”.

Favorito durante a campanha, o advogado, deputado e ex-ministro assumirá a capital com amplo apoio popular, mesmo sendo originário de uma minoria religiosa. Ao longo de sua campanha, Khan frisou suas origens estrangeiras e a condição humilde de seu pai, motorista de ônibus, e de sua mãe, costureira, ambos imigrantes, apresentando-se como um símbolo de mobilidade social na Grã-Bretanha. A estratégia deu certo, ainda mais em contraste com a campanha de Goldsmith, que não conseguiu se livrar da imagem de conservador e elitista.

Com a vitória de Khan, os trabalhistas retomam o governo de uma cidade de 8,6 milhões de habitantes, perdida há oito anos para o conservador Boris Johnson – que agora deixa a prefeitura para liderar a campanha contra a permanência da Grã-Bretanha na UE.

A eleição, porém, esconde um desempenho decepcionante dos trabalhistas – o pior desde 1985. “O quadro é certamente misto. O partido deveria ter progredido muito mais”, reconheceu o número 2 do trabalhismo, Tom Watson, que apoia a gestão de Corbyn.

Na Escócia, o partido sofreu uma dura derrota no Parlamento. Em primeiro lugar ficaram os independentistas do Partido Nacional Escocês (SNP), que venceram a terceira eleição consecutiva, mas perderam a maioria absoluta. A legenda liderada por Nicola Sturgeon elegeu 63 deputados de um total de 129, perdendo 6 cadeiras em relação a 2011.

Já os conservadores, que até aqui eram uma força política em vias de extinção em território escocês, renasceram com um desempenho surpreendente da líder Ruth Davidson, homossexual assumida. Os conservadores elegeram 31 deputados, 16 a mais do que na legislatura anterior, relegando os trabalhistas ao terceiro lugar. Hegemônicos na Escócia até os anos 2000, o Partido Trabalhista somou 24 deputados, 13 a menos que há quatro anos.

Por outro lado, os trabalhistas mantiveram a liderança no Parlamento do País de Gales, elegendo 29 deputados de um total de 60. Nessa eleição, a surpresa foi o desempenho do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), que somou 7 eleitos, marcando a entrada da extrema direita no Legislativo.

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