Trabalhistas aceitam entregar bairros de Jerusalém

Em sua nova plataforma eleitoral, o Partido Trabalhista, de centro esquerda, aceita a entrega de bairros árabes de Jerusalém num acordo definitivo de paz com os palestinos, revelou nesta sexta-feira um parlamentar da agremiação.A plataforma, a ser apresentada oficialmente no domingo, afirma que os trabalhistas apóiam uma "Jerusalém unida consistindo de seus bairros judeus", adiantou o parlamentar Yuli Tamir."Esta é uma declaração de que desejamos ceder os bairros muçulmanos de Jerusalém com o objetivo de preservar a maioria judaica", explicou o deputado.A nova plataforma do Partido Trabalhista representa a primeira vez na história que uma agremiação política israelense de peso promete ceder a porção árabe de Jerusalém aos palestinos.Israel ocupou a parte árabe de Jerusalém durante a Guerra dos Seis Dias, travada em 1967. Anos depois, o governo israelense decretou que a cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos é sua capital "única e indivisível".Entretanto, a reivindicação israelense não goza de apoio entre a comunidade internacional. Os palestinos, por sua vez, pretendem estabelecer em Jerusalém Oriental, o setor majoritariamente árabe da cidade, a capital de seu futuro Estado soberano e independente.Saeb Erekat, negociador-chefe da Autoridade Nacional Palestina (ANP), recebeu com satisfação a posição inédita dos trabalhistas. De acordo com ele, trata-se de um reflexo da mudança de idéias tanto entre os israelenses quanto entre os palestinos."Esse é um passo na direção correta, pois significa que estamos seguindo rumo a uma solução de dois Estados" convivendo lado a lado e pacificamente, declarou Erekat."Independentemente das dificuldades e do sofrimento vivido pelos palestinos e pelos israelenses, agora eu acredito que estamos seguindo adiante", prosseguiu o negociador-chefe da ANP.

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