EFE/Facundo Arrizabalaga
EFE/Facundo Arrizabalaga

Trabalhistas e conservadores saem em defesa da permanência britânica na UE

O premiê conservador David Cameron e seu adversário político, o trabalhista Jeremy Corbyn, fizeram discursos contrários à saída do Reino Unido do bloco europeu

O Estado de S. Paulo

21 Junho 2016 | 16h32

LONDRES - A campanha para o referendo da próxima quinta-feira no Reino Unido se intensificou nesta terça, 21, e uniu o premiê conservador, David Cameron, e o líder trabalhista, de oposição, Jeremy Corbyn, no discurso em defesa da permantência do país na União Europeia (UE).  

Ao falar em frente à residência oficial de Downing Street, em Londres, Cameron lembrou aos britânicos que a decisão a ser tomada no referendo é "irreversível" e pediu que "não coloquem em risco" a estabilidade e a segurança do país. Segundo o premiê, que propôs a realização do referendo no fim do seu primeiro mandato, o Reino Unido "amplifica seu poder" sendo parte do bloco europeu. 

"Quero me dirigir diretamente às pessoas da minha geração e às mais velhas. Sei que a União Europeia não é perfeita, podem acreditar, entendo essas frustrações, pois eu mesmo as sinto", disse. "Por isso negociamos e melhoramos nosso status especial: fora do euro, mantendo nossas fronteiras, excluídos de uma maior integração europeia. Temos o melhor de ambos os mundos."

O discurso pessoal de Cameron ocorreu no momento em que era divulgada a última pesquisa de opinião, realizada pelo instituto Survation, que dá vantagem com pouca margem à opção da continuidade no bloco, com 45% de apoio - 44% são a favor da saída, a Brexit.

Outra pesquisa divulgada horas antes pelo jornal The Daily Telegraph dava a vitória à permanência com 53% dos votos enquanto 46% apoiavam a saída da UE.

Adversário político de Cameron e líder do Partido Trabalhista, Corbyn afirmou a seus seguidores para que votem pela permanência no bloco. Ele falou durante uma visita a cidade de Manchester, no norte da Inglaterra. 

"As próximas horas determinarão o futuro do Reino Unido", afirmou o político, que entrou totalmente na campanha após uma pausa que se seguiu ao assassinato, na semana passada, da deputada trabalhista Jo Cox, atingida por tiros e facadas, em uma rua no norte da Inglaterra.

"No dia 23 de junho, teremos de tomar uma decisão. Ficamos para proteger os empregos e a prosperidade do Reino Unido que depende do comércio na Europa? Ou damos um passo para um futuro desconhecido se sairmos?", questionou o líder da oposição.

No passado, Corbyn foi crítico ao bloco dos 28 países e chegou a votar, em 1975, contra a então Comunidade Econômica Europeia (CEE) no plebiscito realizado dois anos após a entrada britânica na União.

O respaldo dos trabalhistas é visto pela campanha pela permanência como crucial para ganhar a consulta, dada as divisões que há no Partido Conservador, de Cameron, que, por um lado, pedem para ficar na UE e, do outro, respaldam o Brexit, entre eles o ex-prefeito de Londres Boris Johnson.

Além de Corbyn, outros trabalhistas destacados, como o antigo primeiro-ministro Gordon Brown e o ex-líder do partido Ed Miliband continuaram a campanha pró-europeia na cidade escocesa de Glasgow e na inglesa de Birmingham, respectivamente. / EFE 

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