Trabalhistas integrarão novo governo de Israel

Em eleição interna, partido aprova aliança com Likud; Barak promete que será ?contrapeso? dentro de gabinete dominado pela direita

Reuters, JERUSALÉM, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2009 | 00h00

O Partido Trabalhista israelense, de centro-esquerda, anunciou ontem que integrará o gabinete do provável futuro primeiro-ministro de Israel, Binyamin "Bibi" Netanyahu, líder do direitista Likud. Por 680 votos a favor e 570 contra, trabalhistas aprovaram a aliança, defendida pelo chefe da legenda e atual ministro da Defesa, Ehud Barak."Não tenho medo de ?Bibi?", discursou Barak após a votação, referindo-se ao rival histórico pelo apelido. "Não servirei de adereço e não serei peso morto (na coalizão). Vamos servir de contrapeso para impedir um gabinete restrito à direita."Na segunda-feira, o partido ultraortodoxo e de extrema direita Shas anunciou um acordo com Bibi. Na semana passada, o Likud já havia oficializado aliança com o Israel Beiteinu, partido de ultradireita liderado por Avigdor Lieberman. Incumbido pelo presidente Shimon Peres de formar o governo por representar o campo majoritário na Knesset (Parlamento), Bibi tem até o dia 4 para montar a coalizão. Com o apoio trabalhista, o líder do Likud assegura 66 das 120 cadeiras do Legislativo. Bibi, no entanto, quer assegurar uma ampla base governista e deve buscar apoio de outros partidos de direita. O partido mais votado nas eleições de fevereiro, o Kadima, da chanceler Tzipi Livni, indicou que passará à oposição.Os trabalhistas, que praticamente dominaram a política israelense por 50 anos desde a formação do Estado, amargaram a pior derrota de sua história na última eleição, conquistando 13 assentos no Parlamento. Ainda não foram anunciados os cargos que deverão ser ocupados pela centro-esquerda, mas Barak deve permanecer como ministro da Defesa.Uma coalizão israelense formada exclusivamente pela direita e extrema direita, avessa às negociações com a Autoridade Palestina (AP), poderia se chocar com o governo de Barack Obama, defensor da chamada "solução de dois Estados". Analistas indicam que a entrada de Barak no governo - político israelense que fez a maior oferta territorial à AP, durante as negociações de Camp David, em 2000 - deve reduzir os riscos de um distanciamento entre os governos americano e israelense. No texto aprovado, os trabalhistas reafirmam seu compromisso com "os acordos já firmados" por Israel. Do outro lado, membros do Likud citados pelo jornal Haaretz reclamaram do "acordo corrupto" com os trabalhistas. "Bibi vendeu tudo pelo preço de meio partido", teria dito um alto membro da legenda de direita.?PROVOCAÇÃO?Ontem, uma manifestação de israelenses ultranacionalistas em Umm el-Fahm, segunda maior cidade árabe dentro de Israel, fez com que moradores revoltados com o que chamaram de "provocação" entrassem em choque com a polícia. Os moradores atiraram pedras contra forças policiais, ferindo pelo menos 15 oficiais. Cerca de um quinto da população israelense é formada por árabes.

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