Trabalhistas vencem na Grã-Bretanha

O primeiro-ministro Tony Blair expressou confiança em que seu Partido Trabalhista tenha alcançado um segundo mandato consecutivo, depois de pesquisas de boca-de-urna e resultados parciais assinalarem uma vitória arrasadora no pleito parlamentar desta quinta-feira. "Não existe honra maior que servi-los como primeiro-ministro", manifestou Blair nas primeiras horas de sexta-feira a um grupo eufórico de simpatizantes. Apesar de Blair não ter proclamado vitória de forma definitiva, o premier comentou que sua reeleição era um fato quase consumado. "Creio que fomos reeleitos, segundo indicam os resultados divulgados até agora", disse Blair. "É uma noite histórica. Pela primeira vez em 100 anos de história, o Partido Trabalhista está prestes a conseguir um segundo mandato consecutivo no governo. As projeções de boca-de-urna confirmaram a ampla maioria para o Partido Trabalhista. Os postos eleitorais abriram às 7h locais e fecharam tarde, às 22h. Pesquisas publicadas logo após o fechamento das urnas apontam para uma vitória dos trabalhistas, com 44% dos votos, seguidos pelos conservadores, com 32%, e pelos liberais-democratas, com 17%. Candidatos de outras frantes somavam 7%. Os primeiros resultados oficiais confirmavam uma ampla vitória trabalhista. Segundo os atuais números, com os votos apurados em 418 dos 659 distritos eleitorais, os trabalhista estavam com 330 cadeiras, contra 53 dos conservadores de William Hague, e o restante dividido entre o Partido Liberal Democrata, de esquerda, e outras frentes. De acordo com as pesquisas de boca-de-urna, os trabalhistas ficariam com 408 cadeiras no Parlamento, contra 177 dos conservadores, 44 dos liberais-democratas e 30 de outros partidos. Nas eleições gerais de 1997, os trabalhistas tiveram 418, os conservadores, 165, e os liberais-democratas, 46 cadeiras. As pesquisas de boca-de-urna sugerem que os trabalhistas tiveram reduzida sua maioria de 179 cadeiras para 160. No entanto, políticos de todos os setores expressaram preocupação pelo fato de o comparecimento às urnas ter registrado mínimos históricos. O dia foi ensolarado e normal - com a indústria, comércio e bancos funcionando normalmente. Os britânicos não costumam votar em massa pela manhã. Preferem depois do trabalho, isto é, por volta de 17h. Por isso, durante toda a manhã o comparecimento aos postos foi pequeno. A abstenção é tradicionalmente alta. Era calculada em torno de 30%. Em Oldham (norte), abalada por recentes distúrbios raciais, os candidatos foram proibidos de fazer discursos. A votação ocorreu sem problemas também na Irlanda do Norte. "Por aqui não existe a mesma euforia que ocorre nos países latino-americanos", comentou um imigrante mexicano. "Não há cartazes de propaganda em profusão nem papel picado nas ruas. Nem parece que está ocorrendo uma eleição aqui." Na realidade, só os três líderes mais importantes do país, o trabalhista Blair, o conservador William Hague, e o liberal-democrata Charles Kennedy, posaram para as tradicionais fotos. Blair votou pela manhã em Sedgefield (noroeste da Inglaterra). Estava acompanhado da mulher, Cherie, e de três dos quatro filhos. O pequeno Leo ficou com a babá. Com as pesquisas dando vantagem entre 15 e 17 pontos aos trabalhistas, ele manteve a conduta adotada na véspera: "Não vamos cantar vantagem antes da hora." A perpectiva de vitória trabalhista e da provável adesão do país ao euro (moeda única européia) refletiu-se negativamente no mercado financeiro. Houve queda nas cotações da libra e das ações. Hague, também acompanhado da mulher, Ffion, votou em Richmond, perto da capital. Ironizando as sondagens desfavoráveis aos conservadores, ele brincou com os mesários: "Trouxemos nossas carteiras de identidade para o caso de vocês não conseguirem reconhecer a gente..." Já o liberal-democrata Kennedy frustrou os fotógrafos, que queriam uma tomada dele diante das urnas, para completar o trabalho. O excêntrico político escocês votou pelo correio. Mas inspecionou alguns postos eleitorais.Kennedy, ao que tudo indica, torce por uma derrota esmagadora dos conservadores. Ele costuma dizer que seu partido, terceira força eleitoral do país, está prestes a tornar-se o principal de oposição. O Parlamento britânico tem 659 cadeiras. Três mil candidatos disputam essas vagas. A exemplo de Kennedy, Blair e Hague também percorreram postos de votação. Alguns deles foram instalados em locais não muito apropriados - segundo padrões europeus. Uma urna foi instalada num fast-food do oeste londrino, que serve comida iraniana.O trabalho no bar não foi interrompido, nem a votação. "Os eleitores podiam depositar a cédula e, ao mesmo tempo, pedir uma posta de peixe frito", comentou a TV Sky News.Em Essex (sul do país), um posto de votação foi montado na sala da residência de Godfrey e Ella Bywaters, um casal de idosos muito popular na região. A rainha Elizabeth não votou, embora a Constituição garanta esse direito a ela. "Sua Majestade, como chefe de Estado, prefere manter neutralidade", disse um porta-voz do Palácio de Buckingham. Os lordes vitalícios - que perderam seus privilégios no ano passado - estão votando pela primeira vez. O mesmo ocorre com os indigentes que tiveram um prazo para tirar título. Só não votaram os cidadãos com problemas com a Justiça. Diante desse cenário, um jornalista da BBC provou que até os mortos podem votar. O presidente da Comissão Eleitoral, Sam Younger, reconheceu que a fraude é possível. "Contudo, confíamos na honestidade das pessoas", ponderou.

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