AFP PHOTO / LOUISA GOULIAMAKI
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Traficantes de pessoas na Europa movimentaram mais US$ 5 bilhões em 2014

Estudo conjunto da Europol e Interpol divulgado nesta terça-feira aponta ainda que 90% dos imigrantes e refugiados que chegaram à Europa em 2015 tiveram ajuda de rede de criminosos

O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 11h10

PARIS - As redes de traficantes de pessoas na Europa movimentaram em 2014 entre US$5 bilhões e US$ 6 bilhões, o que transforma esta atividade em uma das mais lucrativas para a criminalidade organizada, revelaram nesta terça-feira, 17, as agências policiais Europol e Interpol.

Em um estudo conjunto divulgado hoje, as agências policiais destacam que a entrada à Europa de 90% de imigrantes e refugiados no ano passado esteve "predominantemente facilitada" por componentes de uma rede de delinquentes.

As grandes rotas de entrada clandestina na União Europeia (UE), no entanto, oscilam em função de fatores como o controle das fronteiras, indica o comunicado divulgado pela Interpol.

O tráfico de pessoas é "um negócio multinacional" no qual estão envolvidos suspeitos de mais de cem países e seus organizadores se movimentam mediante redes que se caracterizam pela flexibilidade interna.

Nessas redes são identificados líderes que coordenam o tráfico através de uma determinada rota, assim como organizadores que administram a atividade localmente através de contatos pessoais e "facilitadores".  Segundo a Europol e Interpol, seus integrantes costumam estar relacionados com outras atividades criminosas.

Embora não se possa falar de um vínculo sistemático entre o tráfico de imigrantes e o terrorismo, "há um risco crescente" de que os chamados "combatentes estrangeiros" (jihadistas que foram lutar em conflito na Síria e no Iraque) se introduzam na Europa entre os fluxos de imigrantes.

As duas organizações avisaram igualmente do risco de exploração laboral e sexual aos quais estão submetidos os imigrantes para pagar a quantia exigida pelos traficantes.

O diretor da Europol, Rob Wainwright, comentou que este estudo conjunto põe em evidência "o enorme papel que têm as redes de criminalidade organizada na crise de imigração" e que a UE e seus países-membros devem lutar contra elas da forma mais contundente.

Para o secretário-geral de Interpol, Jürgen Stock, a crise migratória não pode ser abordada pela polícia ou pelos responsáveis políticos separadamente. Stock destacou que, nesse contexto, esta análise deve servir para uma série de ações conjuntas na Europa e no mundo todo. / EFE

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