Saad Shalash/Reuters
Saad Shalash/Reuters

Tráfico de armas transformou América Latina 'em campo de batalha'

Especialistas e líderes regionais se reúnem na Costa Rica para discutir o assunto

estadão.com.br

23 de novembro de 2011 | 19h38

SAN JOSÉ - O tráfico de armas transformou a América Latina em um campo de batalha onde ocorrem quatro de cada dez assassinatos no mundo, advertiram nesta quarta-feira, 23, especialistas e líderes em um reunião de representantes dos países da região para discutir formas de controle ao contrabando, segundo informações da agência de notícias AFP.

 

De acordo com o ex-presidente da Costa Rica e Nobel da Paz Oscar Arias, "42% dos homicídios com armas de fogo anuais ocorrem na América Latina, onde vivem apenas 10% da população mundial". Os dados citados por ele são do escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

A maioria dos revólveres, pistolas e rifles presentes no continente foram produzidos e vendidos legalmente, mas terminam nas mãos de grupos terroristas, do crime organizado ou mesmo de pessoas inexperientes. "As armas começam lícitas, fabricadas pela indústria legal, que paga impostos e muitas vezes financiam campanhas políticas", disse o chanceler costarriquenho, Enrique Castillo.

 

De acordo com o chanceler, "é a inexistência ou insuficiência dos controles que permite o transporte de armas aos cartéis criminosos, aos mercenários e aos terroristas". Há alguns meses, o presidente do México, Felipe Calderón, informou que 100 mil armas encontradas no seu país provinham de fábricas legalizadas dos Estados Unidos.

 

"A América Latina deve abraçar a causa do desarmamento. Hoje nossa liberdade se encontra ameaçada e não serão as armas que a protegerá ou espalharão a paz e a justiça", disse Arias. Em uma clara mensagem a Washington, o ex-presidente afirmou que "o porte de armas não deve ser visto como um exercício de liberdade, mas como um obstáculo para exercê-la". O porte de armas é liberado nos Estados Unidos.

 

Durante a reunião, que acabará na sexta-feira, os participantes debaterão o papel das ONG na prevenção da violência, um processo que demanda o envolvimento de vários países para o controle do tráfico e medidas para combatê-lo. Representantes do Brasil, da Argentina, do Chile e do México também estão presentes. 

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