Tráfico decapita jornalista no norte do México

Após denunciar crimes em redes sociais, María Elizabeth Macías foi assassinada por cartel

CIDADE DO MÉXICO, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h05

A polícia mexicana encontrou domingo em Nuevo Laredo, cidade próxima à fronteira com os EUA, o corpo decapitado da jornalista María Elizabeth Macías, editora-chefe do jornal Primera Hora. De acordo com a promotoria pública do Estado de Tamaulipas, indícios apontam para o cartel Zetas como responsável pela morte. Órgãos em favor da liberdade de imprensa condenaram o crime.

O corpo foi deixado na frente do monumento a Cristóvão Colombo, no centro da cidade, colocado no gramado da praça, ao lado de um teclado de computador, fones de ouvido, cabos e um megafone.

Ao lado dele, uma nota assinada "ZZZZ" identificou a vítima como a ativista digital "Menina de Laredo", que denunciava crimes do narcotráfico na região por meio de perfis em redes sociais. No bilhete, os criminosos dizem que mataram a jornalista por ela informar sobre suas atividades na internet.

Com esse crime, a violência dos cartéis já causou a morte de pelo menos oito jornalistas este ano no México. Desde 2000, 80 jornalistas morreram vítimas do narcotráfico. Um outro caso semelhante ocorreu no dia 13, quando dois jovens foram mortos e seus corpos pendurados numa passarela na mesma cidade.

Por causa da autocensura em muitos veículos de comunicação, as redes sociais têm se tornado um veículo importante para divulgação de informações relacionadas ao tráfico. Muitas vezes, cabe a cidadãos comuns fazerem esse trabalho.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ) e a Anistia Internacional (AI) condenaram a morte da jornalista. Em comunicado, a SIP responsabilizou o presidente Felipe Calderón por não ter a vontade política necessária para lançar uma estratégia contra a violência relacionada ao tráfico.

"É totalmente inadmissível. A falta de ação e garantias resultou numa cultura de autocensura que está corroendo a atividade jornalística e o direito do público a ser informado", afirma a nota, assinada pelo presidente do órgão, o guatemalteco Gonzalo Marroquín.

O CPJ, por sua vez, pediu que os assassinos sejam levados à Justiça. "A estabilidade da democracia mexicana depende da restauração da capacidade da imprensa de trabalhar sem medo de represália", declarou a entidade.

A AI classificou de alarmante a estratégia do crime organizado de estimular a autocensura também entre os usuários de redes sociais. "Essas mortes revelam a vulnerabilidade a qual as pessoas que trabalham com a imprensa estão submetidas no México", disse o grupo. / AFP e EFE

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