Tráfico global de drogas não cresce, diz agência da ONU

O comércio mundial de drogas ilegaisparou de crescer pela primeira vez desde meados do século 19,embora o uso e produção de algumas substâncias estejamcrescendo rapidamente em determinados bolsões, disse naquarta-feira um importante funcionário da ONU. O abuso das metanfetaminas no Leste Asiático e a produçãode ópio no Afeganistão crescem em ritmo alarmante, mas ocultivo de papoula (matéria-prima do ópio e da heroína) nochamado Triângulo Dourado (entre Tailândia, Laos e Myanmar)caiu, segundo Akira Fujino, representante do Escritório da ONUpara Drogas e Crimes no Leste Asiático. "É a primeira vez na história que estamos observando estatendência", disse Fujino em entrevista coletiva na quarta-feiraem Manila. "Há um aumento constante no problema das drogas desde asGuerras do Ópio, no século 19. Mas isso não significa que oproblema está sendo combatido." A área dedicada à produção de ópio no Triângulo Douradocaiu de mais de 160 mil hectares em 1996 para cerca de 32 milhectares em 2005, disse Fujino, acrescentando que dadospreliminares mais recentes da região mostram uma queda aindamaior. Já a produção no violento Afeganistão está "disparando aténíveis recordes", o que alarma países da Europa Ocidental,mercado consumidor do ópio e da heroína produzidos na ÁsiaCentral, segundo Fujino, que não citou cifras da produção. Autoridades do Extremo Oriente e do Pacífico estão reunidasdurante três dias em Manila para analisar seus esforços nocombate às drogas, especificamente em estimulantes da famíliadas anfetaminas, como o ecstasy ou "yaba" ou das metanfetaminascomo o "ice" ou "shabu." Para Fujino, os governos da região devem dedicar maisrecursos à redução da demanda por drogas sintéticas, já que oabuso da heroína e da maconha está em queda. "As prisões estão lotadas, as instalações de reabilitação etratamento são limitadas, e mais campanhas de conscientizaçãosão necessárias para tratar do problema", disse Fujino,acrescentando que é mais barato prevenir do que tratar o abusode anfetaminas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.