Tráfico mexicano ameaça escolas

Violência dos cartéis também chega aos hospitais

NYT e LA TIMES, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A guerra que os cartéis da droga travam entre si no México chega agora às escolas e hospitais, espalhando pânico e medo no país que viu cerca de 5 mil pessoas morrer este ano em conseqüência da violência associada ao narcotráfico. O elevado número de mortos já é quase o dobro do registrado no ano passado e o aumento da violência está provocando o temor de que ela possa cruzar a fronteira com os Estados Unidos.Em Ciudad Juarez - município mexicano perto de El Paso, no Texas -, os professores de um jardim de infância estão aterrorizados com as ameaças que receberam. Cartazes anônimos pendurados próximos da escola afirmam que, se os professores não entregarem seus bônus de fim de ano, "coisas ruins" acontecerão.Apesar de as ameaças serem anônimas, as declarações foram atribuídas a grupos de traficantes que também usam a extorsão como forma de arrecadar dinheiro. "O objetivo é desestabilizar a população e criar pânico", afirmou o prefeito José Reyes Ferriz.Uma das medidas adotadas pelo governo local para reduzir o medo da população foi enviar cadetes da polícia para guardar a entrada das 900 escolas da cidade. No entanto, Ciudad Juarez tem apenas 350 cadetes, o que obriga um revezamento na segurança. Este ano, o narcotráfico deixou mais de 1,3 mil mortos na cidade.Além das escolas, os hospitais também se tornaram alvo dos traficantes. Em Tijuana - uma das cidades mais afetadas pela violência -, criminosos invadem salas de operação à caça de inimigos.No mês passado, um paciente com ferimentos a bala estava na UTI de um hospital privado quando homens armados invadiram o local e dispararam contra ele, matando-o na hora. Assassinos de aluguel perseguindo vítimas, tiroteios em corredores e seqüestro de médicos já se tornaram rotina no México. "Sabe a cena do hospital do filme O Poderoso Chefão?", pergunta o médico Héctor Rico, referindo-se à parte em que o mafioso Michael Corleone (Al Pacino) salva seu pai (Marlon Brando) de um esquadrão da morte. "É assim que vivemos aqui."

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