Tragédia atinge alunos a caminho de escolas

Terremoto ocorre às 7h49 e autoridades já confirmam a morte de 56 estudantes; socorristas reclamam da falta de equipamento

Reuters, AP e Efe, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2010 | 00h00

YUSHU, CHINA

No momento do terremoto de ontem, estudantes da Província de Qinghai estavam a caminho de seus colégios. Zhu Liang, integrante das equipes de resgates, disse ter ajudado a retirar de escombros "vários" corpos de jovens com uniforme escolar. Segundo a agência estatal de notícias Nova China, já foram confirmadas as mortes de 56 alunos da província.

Só na Escola Vocacional da capital da província, Yushu, que veio abaixo com o terremoto, 22 alunos morreram. "Estudantes tinham acabado de acordar e estavam se dirigindo à escola quando o tremor ocorreu", narrou Zhu. Segundo o Centro Geológico dos EUA, o primeiro sismo, de 7.1 graus na escala Richter, ocorreu às 7h49 locais (noite de terça-feira em Brasília). Ele foi seguido por outros cinco tremores de 5 graus na escala Richter.

"Muitos estudantes já foram sepultados", confirmou um funcionário do governo que não foi identificado ao canal CCTV. "Há feridos por todas as ruas, muita gente com a cabeça ensanguentada." Imagens da TV mostravam corpos embrulhados em lençóis diante de escolas parcialmente em ruínas.

Precariedade. Operários chineses abriram reservatórios de água que podem ter sido afetados pelo sismo. Autoridades temem que as estruturas provoquem um desastre semelhante ao de Sichan, em 2008, quando barragens de água cederam e alagaram grandes extensões.

Embora Pequim tenha feito investimentos maciços em equipamentos e formação de socorristas desde o terremoto de Sichuan, equipes enfrentam dificuldades com a escassez de recursos para resgatar sobreviventes do terremoto de ontem.

Um soldado envolvido nas buscas na região de Jiegu reclamou da falta de equipamentos para uma TV local - atitude rara na China, onde a imprensa é controlada pelo governo. "A dificuldade que enfrentamos é que não temos escavadeiras", disse o militar, que não foi identificado. "Temos de usar nossas próprias mãos para retirar os escombros porque não há grandes máquinas disponíveis."

O Escritório de Emergência chinês anunciou ontem que 700 militares tentavam limpar os escombros nos locais devastados. Um reforço de mais de mil oficiais estaria ainda a caminho de Jiegu. No aeroporto de Xining, cidade a menos de mil quilômetros do epicentro do terremoto, desembarcavam ontem tropas com uniforme camuflado, bombeiros e cães farejadores.

Luo Song, monge em um templo da Província de Yushu, afirmou que crianças não estão recebendo tratamento porque não há suprimentos para atendê-las. "Os hospitais estão enfrentando sérias dificuldades neste momento, pois não há médicos, bandagens ou injeções."

Moradores de Jiegu, a 30 quilômetros do epicentro do terremoto, fugiram cambaleando pelas ruas enquanto a terra tremia. Casas, templos, linhas de energia e dutos de gás foram destruídos na tragédia. Testemunhas afirmaram que uma torre centenária de um templo tibetano foi totalmente destruída.

"Praticamente todas as casas feitas de barro ruíram. Havia tanta poeira no ar que não era possível enxergar", relembra Ren Yu, gerente de um hotel em Jiegu. "Retiramos dos escombros pelo menos 70 pessoas, mas algumas delas morreram a caminho do hospital." /

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