Tragédia de Boston reacende debate sobre imigração nos EUA

Principais suspeitos do atentado que matou três pessoas chegaram ao país em 2002 como refugiados chechenos

Denise Chrispim Marin / Enviada Especial / Boston, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2013 | 12h40

Os debates sobre a reforma na lei da imigração, nos Estados Unidos, não ficaram imunes à tragédia de Boston. O fato de os suspeitos, os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev, terem chegado ao país em 2002 como refugiados chechenos, vindos do Quirguistão, alimentou os argumentos de congressistas ultraconservadores contra o projeto de lei apresentado na semana passada por um grupo de oito senadores dos dois partidos. O embate acontece dentro do próprio Senado americano e, mais especificamente, dentro da bancada republicana.

“Como podemos nos assegurar de que pessoas que querem nos ameaçar não são elegíveis aos benefícios das leis de imigração, inclusive do novo projeto de lei que está diante de nós?” disse o senador republicano Charles Grassley, ao defender haver brechas no texto e novas questões a serem examinadas depois da tragédia de Boston.

“Algumas pessoas estão sugerindo que as circunstâncias dessa tragédia terrível justificam o atraso ou toda paralisação do nosso esforço. De fato, a verdade está no oposto: a reforma da imigração vai fortalecer a nossa segurança nacional ao nos ajudar a identificar exatamente quem entra e sai do nosso país”, rebateram os senadores John McCain e Lindsey Graham, ambos também da oposição, em comunicado conjunto.

O projeto de 844 páginas tem como foco a criação de um sistema para regularizar a população de cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais no país, ao longo do tempo, e para fortalecer a segurança nas fronteiras. A discussão sobre o acesso de asilados e refugiados aos EUA tende a comprometer todo o conjunto, cuja aprovação é de especial interesse eleitoral da oposição republicana. O texto acabaria com a atual exigência para as pessoas ameaçadas ou perseguidas por razões políticas, étnicas ou religiosas viverem um ano nos EUA antes de pedir o asilo ou refúgio.

O grupo em favor da nova legislação está se mobilizando para evitar sua débâcle, por causa da tragédia de Boston. O projeto deverá ser votado pelo Comitê de Justiça do Senado, o primeiro passo da tramitação, até o final de maio. O senador republicano Marco Rúbio, possível candidato à Casa Branca em 2016, alegou que o projeto fortalece os mecanismos de controle de ingresso de imigrantes e, por isso, “vai fortalecer a segurança nacional. O democrata Patrick Leahy, presidente do Comitê de Justiça, deu um argumento de ordem prático.

“Se nós mudarmos as políticas do país cada vez que algo acontece, seja o ataque de Oklahoma City, de 11 de setembro de 2001 ou este (de Boston), nunca faremos algo”, afirmou Leahy.

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