Kyodo News/AP
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Tragédia de Fukushima completa dois anos

Cerca de 19 mil pessoas morreram ou desapareceram e outras 300 mil ficaram desalojadas

Agência Estado

11 de março de 2013 | 10h05

TÓQUIO - Dois anos depois de ter sido assolado por uma tragédia que deixou em torno de 19 mil pessoas mortas ou desaparecidas e outras 300 mil desalojadas, o Japão ainda luta para se livrar da radiação que contamina o solo do país e para reconstruir diversas comunidades da costa nordeste, que foi devastada por um tsunami.

Em cerimônia de homenagem às vítimas da tragédia de 11 de março de 2011, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o governo quer promover um progresso "visível" na reconstrução e quer também acelerar o restabelecimento dos desalojados por meio da simplificação de procedimentos legais e administrativos, que atrasam esse processo.

"Eu rezo para que aqueles que foram atingidos possam retomar suas vidas pacíficas o quanto antes", disse o imperador em evento realizado no Teatro Nacional de Tóquio.

Às 14h46 (hora local), participantes das cerimônias de homenagem, realizadas em Tóquio e em cidades do nordeste do país, curvaram suas cabeças em um momento de silêncio para lembrar a tragédia ocorrida neste horário, quando um terremoto de nove graus de magnitude, o mais forte registrado na história do Japão, devastou a costa do país.

Ao longo da área destruída, milhares de sobreviventes que vivem em casas temporárias estão impacientes para se restabelecerem, processo que, segundo as autoridades, pode levar mais de uma década. "O que eu realmente quero é ter de novo a ''minha casa''", disse Migaku Suzuki, um trabalhador rural de 69 anos de Rikuzentakata, que perdeu um filho e sua casa recém-construída.

Mais ao Sul, na província de Fukushima, 160 refugiados são sabem se poderão voltar às suas casas, localizadas nas redondezas da usina de Fukushima, onde reatores derreteram e espalharam radiação pelo solo dos arredores depois de o tsunami ter atingido o sistema de resfriamento da usina. "Eu não acredito em mais nada do governo que seja relacionado à saúde", diz Massaki Watanabe, que fugiu da cidade vizinha de Minami Soma e não planeja voltar devido à alta radiação do solo.

Um outro problema que persiste no país é o preconceito contra os refugiados de Fukushima. Watanabe, que trabalhava para uma empresa que mantinha os sistemas de iluminação de Fukushima, diz que seus filhos sofrem rejeição de colegas de sala ao ouvirem coisas como "Não se aproxime de mim, você é radioativo", conta.

Um grupo de 800 pessoas entrou com uma ação nesta segunda-feira, em Fukushima, contra o governo e a Tokyo Electric Power Co., empresa que opera a usina de Fukushima. Eles pedem o pagamento de 50 mil ienes (US$ 625) por mês para cada vítima até que toda a radiação seja removida.

As informações são da Associated Press

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