Trajetória de 17 anos no poder foi marcada por escândalos

Silvio Berlusconi tentou vender aos italianos o sonho de que todos podiam chegar onde ele chegou

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2011 | 03h02

Silvio Berlusconi, hoje com 75 anos, desembarcou na política em 1994 vendendo um sonho aos italianos: o de que podiam repetir sua trajetória de vendedor de aspiradores e cantor em navios para o posto do homem mais rico do país com uma fortuna de US$ 9 bilhões.

Ontem, quando finalmente caiu, deixava como herança um pesadelo e ruas tomadas de pessoas que comemoravam sua renúncia.

A Itália está estagnada e só voltará a crescer em 2013. Isso se conseguir equacionar sua dívida de quase 2 trilhões.

Depois de fazer fortuna com um império de mídia e um clube de futebol, Berlusconi, que nasceu em Milão, criou o próprio partido e liderou três governos em 17 anos. O último começou em 2008.

Mas sua trajetória foi assolado por escândalos e até acusações de uso de menores para serviços sexuais. Uma escuta telefônica o pegou comemorando o fato de ter mantido relações com oito mulheres numa só noite e que estava tão ocupado com as moças que era primeiro-ministro "nas horas vagas".

Em cúpulas internacionais, Berlusconi passou a ser evitado por líderes por conta de suas gafes. Mas nada disso até hoje o abalou. Desde 2008, sobreviveu a 51 votos de confiança do Parlamento.

Ironicamente, foi necessário um evento do qual ele não tinha nenhum controle - a crise mundial - para revelar a fragilidade de seu governo e o risco que ele representava para a Europa.

Ao ver ontem que o pacote de austeridade havia sido aprovado por 380 votos contra 26, Berlusconi se levantou e foi aplaudido pelos deputados.

Alívio popular. O clima era bem diferente fora de seu gabinete, onde centenas de pessoas esperavam o fim de uma era. "Finalmente", dizia um cartaz. Nas ruas de Roma, comemoração e orquestras improvisadas ao ar livre tocavam para celebrar o momento, enquanto carros promoviam um buzinaço em várias cidades.

Alguns analistas acreditam que Berlusconi vai permanecer na política para evitar problemas com a Justiça. "Talvez eu dê uma mão em campanhas eleitorais, que é algo que sempre fiz bem", teria dito Berlusconi.

Segundo o novelista italiano Antonio Tabucchi, Berlusconi pode ter caído, resta agora começar a "desberlusconizar a Itália". / J.C.

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