Transgênicos terão regras mais rígidas na Europa

O Parlamento Europeu aprovou hoje regras mais rígidas para a comercialização e produção de organismos geneticamente modificados. A nova legislação pode acabar com a moratória de 3 anos da União Européia (UE) sobre a licença de tais produtos já no ano que vem. Na assembléia, 338 pessoas votaram a favor e 52 contra as novas regras e houve 85 abstenções. "Esta é a legislação de transgênicos mais dura no mundo", disse o autor do projeto, o socialista britânico David Bowe. As novas regras - que ainda precisam ser endossadas pelos governos dos 15 países que fazem parte da UE - incluem a implantação de um sistema de rotulagem mais severo e o monitoramento de alimentos, rações, sementes e produtos farmacêuticos geneticamente alterados. As novas medidas também visam acabar, durante um período de 8 anos, com o uso de antibióticos nos genes das plantas que possam causar reações alérgicas nos consumidores. Membros do Partido Verde preferiram não votar porque as novas regras não garantem a continuidade da moratória na aprovação de novos projetos de biotecnologia. "O novo diretivo segue as linhas certas para proteger o meio ambiente e a saúde humana", disse o líder do partido Verde Paul Lannoye, da Bélgica. "No entanto, ele não pode funcionar com um estímulo aos países-membros para retirar o embargo sobre novos produtos de biotecnologia", completou. Os governos e parlamentos europeus devem levar 18 meses para aprovar totalmente a nova legislação. Enquanto isso, segundo autoridades, a moratória sobre as licenças de novas safras transgênicas continua em vigor. Os alimentos transgênicos são bastante impopulares na Europa. Uma pesquisa na UE no ano passado mostrou que a maior parte dos europeus considera este tipo de produto como prejudicial à saúde. Grupos ambientalistas acham que as medidas aprovadas na assembléia não são suficientes. "Há assuntos vitais que estão faltando e isso vai deixar o público, os consumidores e os produtores expostos ao risco dos transgênicos", disse Gill Lacroix do grupo Friends of the Earth. De acordo com nota da agência Dow Jones, Lacroix acredita que houve "melhoras significativas" em comparação com a atual legislação, mas completou que há falhas, como o longo período para extingüir o uso de antibióticos, uma proteção insuficiente das plantações de orgânicos contra as sementes transgênicas carregadas pelo ar e o fato de as empresa de biotecnologia não serem "responsáveis pelos danos causados" por seus produtos. Até o momento, a UE aprovou 18 produtos geneticamente modificados, mas nos últimos 3 anos os governos europeus deixaram de conceder licenças em meio às crescentes preocupações em torno da saúde pública e do meio ambiente. As companhias de biotecnologia estão aguardando a aprovação de vários produtos, entre eles milho transgênico, colza, tomates, batatas e algodão.

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