Transição negociada em Sanaa não deve evitar conflito armado

A possibilidade de Ali Abdullah Saleh retornar ao Iêmen apenas agrava o risco de guerra civil no país, uma ameaça que persiste desde 2009. Mas a ausência de Saleh deve ser insuficiente para impedir um conflito armado. Não há no país ninguém com a força que Saleh teve nos anos 90, quando unificou o norte e o sul do país com alianças tribais.

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 00h00

Além da atual disputa pelo poder em Sanaa, há o crescimento da Al-Qaeda - que mantém no Iêmen seu braço mais poderoso -, os levantes dos houthis, uma vertente dos xiitas, no norte do território, e a luta pela independência dos separatistas no sul.

As manifestações dos opositores são apenas mais um dos focos de instabilidade. Faz mais de três anos que o regime de Saleh não controla o território fora de Sanaa e algumas poucas outras religiões metropolitanas. As áreas rurais eram - e continuam - uma terra de ninguém.

Seu retorno ao Iêmen, se ocorrer, não será aceito pela oposição e por líderes tribais. Caso não volte, há a vantagem de a oposição ter concordado com uma transição liderada pelo vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, o que, no entanto, não deve impedir uma guerra civil.

Sem uma figura forte, tribos disputarão o poder. Parentes de Saleh ainda controlam as forças de segurança. A Al-Qaeda, os houthis e os separatistas devem tentar se aproveitar da crise. Para complicar, quase toda a população adulta masculina do Iêmen possui armas em casa.

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