Transição ordenada, o objetivo de Obama

Cenário de guerra sectária e caos na Síria, à semelhança do que ocorreu no Iraque em 2003, tira o sono de autoridades americanas

DAVID , IGNATIUS, THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2012 | 03h03

Artigo

Enquanto a Síria caminha para uma transição política violenta, funcionários americanos esperam evitar um perigoso vácuo de poder, como o que se seguiu em 2003 à queda de Saddam Hussein no vizinho Iraque, e a explosão de uma guerra civil sectária. O presidente Barack Obama busca uma "transição administrada" em Damasco com um duplo objetivo: afastar rapidamente o presidente Bashar Assad e impedir que a autoridade do Estado sírio desapareça.

O temor em relação ao arsenal de armas químicas de Assad é uma das razões pelas quais os EUA querem uma transferência ordenada, em que a oposição trabalharia com elementos "aceitáveis" do regime. A estratégia lenta e persistente de Washington irritou alguns líderes da oposição militante sunita, que preferem a decapitação do regime e uma ruptura revolucionária.

Autoridades americanas acreditam que a Síria está se aproximando de um ponto crítico depois do atentado que matou ontem Assef Shawkat, cunhado de Assad e um dos mais notórios defensores da ditadura, e Dawoud Rajha, o ministro da Defesa e o cristão mais poderoso do regime. Um funcionário dos EUA descreveu a Síria como uma versão do Velho Oeste no Oriente Médio. As forças de Assad perderam o controle de muitas partes do país: "Elas não conseguem mais manter o terreno que acabam de limpar ", observou, usando uma expressão típica das doutrinas de contrainsurgência. As fronteiras da Síria ficaram porosas, transformando partes do país num verdadeiro "oposistão".

Nesse ambiente caótico, todo serviço de inteligência faz um jogo de aposta, procurando entender a estrutura da oposição. A CIA trabalha com os rebeldes sírios há várias semanas graças a uma instrução que permite aos EUA avaliar os grupos e dar-lhes assistência. Dezenas de agentes da inteligência israelense também operam ao longo da fronteira da Síria.

A questão mais urgente para a CIA é saber até onde vai o poder da Al-Qaeda e dos seus aliados na oposição síria. A resposta é aparentemente que, embora a Al-Qaeda seja um fator, outros grupos da oposição prometem erradicá-la - assim que eles tenham terminado com Assad. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.