Transição paralisa negociações sobre Síria

As negociações de paz sobre a Síria, que acontecem em Genebra, chegaram a um impasse após a primeira sessão de que tinha como objetivo tratar da difícil questão de transferência do poder, nesta segunda-feira, afirmaram integrantes das delegações do governo e da oposição.

Agência Estado

27 de janeiro de 2014 | 12h29

Rima Fleihan, que integra o grupo que representa a oposição, disse que as conversações "não foram construtivas", porque o regime do presidente Bashar Assad insiste em discutir o "terrorismo" em vez da transição de poder.

Uma fonte próxima da delegação do regime disse que a oposição "rejeitou" uma declaração de princípios apresentada pelo governo e que não houve mais discussões. As negociações foram encerradas menos de uma hora após começarem e foram descritas por um delegado como "um diálogo de surdos".

O governo sírio disse que não discutirá a substituição de Assad como líder do país que sua família tem governado desde 1970. Já a oposição afirma que ele tem de deixar o poder em favor de um organismo de governo transitório com amplos poderes executivos, que guiará o país até que eleições sejam realizadas.

O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU), Lakhdar Brahimi, conseguiu levar os dois lados para a mesma sala no final de semana para que discutissem ajuda humanitária a áreas sitiadas de Homs e a possibilidade de troca de prisioneiros, mas a oposição disse que houve pouco progresso nesse sentido.

Durante a reunião, a delegação do governo apresentou um documento que se concentrava na necessidade do combate ao terrorismo e na suspensão do envio de armas para os rebeldes que lutam para derrubar Assad, disseram os delegado.

Os dois lados disseram que a oposição rejeitou o documento. Os delegados da oposição insistiram na discussão sobre a formação de um governo de transição, como estava programado.

"Neste pondo, eles começaram a ficar mais agressivos e a falar de uma forma muito ditatorial", afirmou Murhaf Joueijati, membro da opositora da Coalizão Nacional Síria. "Achamos que não havia como continuar a reunião, já que aquilo estava se transformando num diálogo de surdos", disse ele.

Brahimi interrompeu a reunião e marcou novas reuniões separadas com representantes do governo e oposição, que devem acontecer ainda nesta segunda-feira. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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