Trapalhadas do correio irlandês mudam geografia européia

Filatelistas e políticos acusaram, hoje, o correio irlandês de ignorância geográfica: o serviço lançou um selo do União Européia que unifica os territórios da Irlanda e de Chipre ? e transforma este último em Creta.O selo de 65 centavos (US$ 0,79) ? 330.000 exemplares foram lançados dia 1º de maio para comemorar a expansão da EU e para ser usado em cartas postadas para todos os 25 estados membros ? coloca a ilha Chipre fora da costa sudeste da Grécia. A mancha horizontal exibe pouca semelhança com a forma de chifre de rinoceronte de Chipre mas fica inexplicavelmente próxima da longa e estreita Creta, a maior ilha grega.Anna McHugh, porta-voz dos serviços postais An Post, insiste em que a exatidão geográfica do selo teve de ser abandonada para acomodar Chipre, normalmente localizada no leste do Mar Mediterrâneo, dentro da ilustração. ?Isto, na verdade, significou que, para representar Chipre, tivemos de cometer algumas licenças cartográficas. Simplesmente, não tínhamos espaço?, justificou. ?Nenhum país está exatamente certo. Tudo foi espremido. Nenhuma parte do selo está em escala.?Os críticos sacaram suas lentes de aumento para inspecionar o selo, que foi produzido em tamanho padrão - 40.64 mm por 29.8 mm. E descobriram que os desenhistas haviam dado um jeito de fazer o que os cipriotas gregos recusaram, no mês passado: trazer o lado norte, turco, da ilha, para a UE também. Não há fronteira, apenas uma ilha unida em laranja, a cor dada a todos os 10 novos membros da comunidade.?É um selo visualmente muito ruim: embaçado nas cores e borrado, talvez porque eles soubessem que tinham de fundir a geografia?, diz Peter Geoffroy, vendedor de uma loja de selos em Dublin, a Cathedral Stamps. ?O selo simplesmente é muito pequeno para suas ambições.?Geofroy sugere que o correio de Chipre vingue-se e produza seu próprio mapa da UE em selo ?juntando a Irlanda à ilha vizinha e seu antigo dominador imperial, a Inglaterra.Na Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, os sensíveis protestantes também não gostaram nem um pouco do selo, que apagou a firmemente defendida fronteira entre o sul irlandês e o norte britânico.?O selo conseguiu estabelecer cada fronteira européia corretamente, mas ignorou a nossa?, diz Seven King, conselheiro do Partido Unionista do Ulster (pró-inglês), em Belfast.King enviou, por correio, uma cópia do tratado de paz de 1998 com a Irlanda do Norte ? que enfatiza o direito da Irlanda do Norte de permanecer território inglês enquanto seu povo assim o desejar ? para a sede do An Post, em Dublin.Ele garante que sua reclamação é apenas uma admoestação delicada e não está pedindo o redesenho do selo.?Tenho certeza de que foi apenas um trabalho mal feito. Não estou realmente ofendido?, assegura. ?De qualquer forma, aqui nós usamos selos ingleses.?

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