Tratado climático é crucial no combate à fome, diz ONU

A ONU inaugurou na segunda-feira sua cúpula alimentar dizendo que a adoção de um novo tratado climático global no mês que vem em Copenhague é essencial para combater a fome no mundo, já que o aumento da temperatura ameaça a produção agrícola em países pobres.

SILVIA ALOISI, REUTERS

16 Novembro 2009 | 11h14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa da reunião, defendeu um maior envolvimento da comunidade internacional no combater à fome.

"O combate à fome continua praticamente à margem da ação coletiva dos governos. É como se a fome fosse invisível. Muitos parecem ter perdido a capacidade de se indignar com um sofrimento tão longe de sua realidade e experiência de vida", disse Lula ao discursar na abertura do evento.

Autoridades se reúnem em Roma até quarta-feira para discutir questões alimentares, embora ativistas já estejam qualificando o evento como mais uma oportunidade desperdiçada.

O ceticismo se agravou no fim de semana, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes mundiais disseram que a definição do novo tratado climático deveria ficar para 2010 ou depois.

"Não pode haver segurança alimentar sem segurança climática", disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na cúpula de Roma.

"No mês que vem em Copenhague precisamos de um acordo abrangente, que forneça um firme fundamento para um tratado de cumprimento compulsório a respeito da mudança climática."

A FAO (órgão da ONU para agricultura e alimentação) prevê uma redução de 20 a 40 por cento na produtividade agrícola potencial da África, da Ásia e da América Latina se as temperaturas do planeta subirem mais 2C.

Pela primeira vez o número de famintos no mundo passa de 1 bilhão, e a FAO convocou esta cúpula na esperança de que os governos mundiais elevem de 5 para 17 por cento a parcela da ajuda humanitária atualmente destinada à agricultura.

Isso representaria um aumento de 7,9 para 44 bilhões de dólares - ainda assim, bem aquém do subsídio de 365 bilhões de dólares por ano dado a agricultores dos países ricos.

Mas um esboço da declaração final a ser adotada na segunda-feira inclui apenas uma promessa genérica de mais ajuda agrícola, sem prazos nem metas.

A promessa de eliminar a desnutrição até 2025 também foi retirada da proposta, que agora cita apenas um empenho em resolver o problema "o quanto antes".

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