Trauma de Natascha Kampusch é igual ao de tortura por isolamento

O trauma sofrido pela jovem austríaca Natascha Kampusch, seqüestrada há oito anos em Viena, quando tinha dez anos, e libertada há uma semana, é comparável ao das pessoas submetidas a tortura por isolamento, informou nesta quinta-feira Max Friedrich, o psiquiatra da garota. Friedrich lembrou que há amplos estudos sobre as conseqüências desse tipo de tortura, e em especial de seu efeito em crianças e adolescentes.Mesmo assim, ele ressaltou que cada caso deve ser tratado de forma individual, e recusou-se a dar mais informações sobre o diagnóstico de sua paciente - para não violar seu direito a intimidade, que em sua opinião chocou-se nos últimos dias com os interesses do público pelo destino da jovem e da imprensa, por noticiar o caso.Além de comover a população austríaca, a história da garota (que fugiu do sótão em que viveu por mais de oito anos, sob o olhar vigilante de seu captor, o eletricista Wolfgang Priklopil, que se matou momentos depois de sua refém se libertar), despertou amplo interesse de outros países. O psiquiatra alertou também para o risco da excessiva exposição da vida privada de Natascha pela mídia. Friedrich disse que Natascha não tem mais dez anos de idade e que, por já ser uma adulta, não será tão fácil ela se reintegrar à sua família. Atualmente a garota mantém uma "postura distante" com seus parentes.O psiquiatra acrescentou que considera sua paciente "uma pessoa muito responsável e séria". Questionado sobre a possibilidade de que a jovem supere as feridas deixadas pelos traumas, foi enfático: "Não será possível esquecê-las, mas (ela) poderá aliviá-las e viver com dignidade."

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