Martinne Geller/Reuters
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Trauma do Brexit atrai jovens britânicos às urnas

Segundo analistas, os números iniciais indicam que esses eleitores quiseram recolocar em discussão a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida no referendo do ano passado

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 20h48

LONDRES - A eleição legislativa da quinta-feira fez aumentar a sensação de que a juventude está começando a marcar presença na política britânica. Dados iniciais indicam que sua participação aumentou muito em relação às votações anteriores.

Números oficiais só serão divulgados em alguns dias, mas, segundo estimativas, o comparecimento dos eleitores com idades entre 18 e 24 anos foi 20% superior à sua participação nas quatro eleições realizadas de 2001 para cá, quando apenas 40% dos eleitores dessa faixa etária votaram.

Segundo analistas, os números iniciais indicam que esses eleitores quiseram recolocar em discussão a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), decidida no referendo do ano passado. Desde então, predomina na juventude o sentimento de que os eleitores mais velhos traíram o país da geração mais nova.

“Um dos elementos que explicam a elevada taxa de comparecimento entre os eleitores mais jovens nesta eleição é o fato de que eles tomaram consciência da tremenda importância da decisão de abandonar a União Europeia”, diz Rhammel Afflick, representante do Conselho da Juventude Britânica.

Os números iniciais indicam que o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, teve desempenho particularmente bom entre os eleitores mais jovens, em contraste com May, que defende uma separação brusca e radical da UE.

“Os jovens não estão convencidos de que o resultado do referendo pode ser revertido, mas evidentemente querem um Brexit muito mais flexível do que o defendido por May”, diz Felix Marquardt, fundador do centro de estudos e pesquisas Youthonomics e do movimento Get Gone, que incentiva os jovens britânicos a estudar e trabalhar temporariamente em outros países da UE.

Por outro lado, o especialista em comportamento eleitoral Stephen Fisher, da Universidade Oxford, adverte que o impacto do Brexit na eleição não deve ser superestimado: “Os dois principais partidos do país são favoráveis à saída da UE. A diferença entre eles é o tipo de Brexit que desejam”. / THE WASHINGTON POST

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