Travessia de bote custa 1,2 mil euros

Samba Abdellah, de 25 anos, saiu de Guiné-Bissau há três anos e só neste ano conseguiu chegar até a Itália. Hoje, doente, não consegue trabalhar. Ele depende de voluntários para receber tratamento médico.Sua história, como de muitos outros imigrantes ilegais, é repleta de tragédias. "Passei pelo Senegal, Mali, Níger, Burkina Fasso e Líbia. Mas como não tinha dinheiro, tive de trabalhar um pouco em cada país. Quando cheguei na Líbia, pensei que já estaria perto da Itália, mas fiquei sabendo que teria de pagar mais 1,2 mil apenas para cruzar o mar nos botes. Então passei quase um ano lá para conseguir o dinheiro'', contou Samba, que não quis revelar a quem pagou a quantia para fazer a travessia. Na Líbia, contraiu um infecção na boca e há meses não consegue comer alimentos sólidos. Emagreceu dez quilos nos últimos dois meses e está com o rosto deformado. Mesmo assim, voltar para casa não é uma opção. ''Só volto quando o país estiver em paz'', afirmou. Ao ser questionado sobre sua família na Guiné, ele emocionou-se. ''Tenho uma mulher e dois filhos. Mas há três anos não falo com eles."

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