Loren Elliott/Reuters
Loren Elliott/Reuters

Travessias ilegais na fronteira com EUA têm queda drástica

As autoridades de fronteira detiveram 16.789 migrantes no mês passado; em março, foram pouco mais de 34 mil

Nick Miroff / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 14h55

As travessias não autorizadas ao longo da fronteira sul dos EUA caíram pela metade em abril, de acordo com estatísticas federais divulgadas na quinta-feira, 7. A queda coincide com a estratégia do governo de Donald Trump de contornar procedimentos normais de imigração e expulsar sumariamente os migrantes em meio à pandemia do novo coronavírus

As autoridades de fronteira detiveram 16.789 migrantes no mês passado, bem abaixo dos 34.064 de março, o mês em que a Alfândega e a Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) começaram a realizar "expulsões" sob uma disposição da lei dos EUA da década de 1940. 

As estatísticas de abril foram a segunda menor para um mês desde que Trump tomou posse e representaram uma redução de 85% em relação a abril de 2019, quando as autoridades de fronteira detiveram 109.415 pessoas em meio a um influxo recorde de famílias e crianças da América Central. 

Os agentes realizaram 14.416 expulsões em abril ao longo da fronteira sul dos EUA, com agentes detendo, processando e devolvendo migrantes para o México em poucas horas. Como resultado, a agência conseguiu minimizar o número de detidos nas estações fronteiriças dos EUA. Essas detenções caíram de mais de 3 mil por dia para apenas 100. 

O presidente Trump tenta repetidamente evitar as críticas ao tratamento da pandemia de coronavírus destacando as restrições de imigração sem precedentes de seu governo, incluindo políticas anunciadas no mês passado que dificultam mais o acesso ao green card. 

Mark Morgan, o comissário interino do CBP, disse em uma conversa com repórteres que as expulsões na fronteira deveriam ser consideradas medidas de saúde pública e não uma forma de política de imigração. "O que não foi percebido é o risco à saúde pública associado à imigração ilegal", disse Morgan, citando os bairros apertados e as más condições sanitárias às quais muitos migrantes são expostos a caminho da fronteira com os EUA.

"A rede pró-ativa e agressiva de contenção e mitigação do presidente de políticas e iniciativas em relação à covid-19 tem sido histórica e eficaz para retardar a propagação da doença". Morgan disse que as medidas de emergência provavelmente permanecerão em vigor mesmo que a Casa Branca incentive os Estados e as empresas a reabrirem, argumentando que o vírus ainda está se espalhando no México e na América Central.

"A ameaça que enfrentamos fora de nossas fronteiras desta doença infecciosa global destaca a necessidade, agora mais do que nunca, de segurança nas fronteiras", disse ele.

Embora as autoridades do governo Trump tenham tentado enfatizar a ameaça externa do vírus, os Estados Unidos continuam tendo o pior surto do mundo, com mais de 1,2 milhão de casos confirmados e mais de 75 mil mortes.

Os casos nos EUA representam aproximadamente 33% do total mundial e as mortes são 28% de todas as relacionadas a vírus em todo o mundo. O Reino Unido tem o segundo maior total de mortes, com pouco menos de 31 mil, e a Itália é o terceiro, com pouco menos de 30 mil. 

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