Travestis acusam Cuba por "campanha de perseguição"

A polícia cubana lançou outra "campanha de perseguição" contra homossexuais, agora especialmente voltada contra os travestis, segundo os próprios travestis. "Claro que não te prendem por se vestir de mulher. Esse é apenas o motivo inicial, depois alegam outras coisas", disse o travesti Brenda.Um dos chefes de polícia, que acabou detendo a equipe de reportagem da BBC, negou que exista uma campanha contra os gays, mas sim "contra as condutas negativas que eles têm". O que se sabe é que os travestis são detidos e os clubes onde eles se apresentam, fechados. "Se saímos na rua vestidos de mulher, eles nos prendem. Não podemos fazer festas especificamente para gays porque são ilegais. Se vamos a uma discoteca tradicional, eles não nos deixam entrar", diz o travesti Giliana.A maioria deles veste roupas masculinas para sair às ruas e esconde o cabelo comprido embaixo de bonés. O Centro Nacional de Educação Sexual tem transformado alguns travestis em promotores de saúde que atuam junto à comunidade homossexual cubana.Até agora, o centro, dirigido pela ministra da Defesa, Mariela Castro, tinha conseguido proteger os travestis. Com a campanha policial, entretanto, eles parecem impotentes.Quase todas as pessoas ouvidas pela reportagem da BBC manifestaram opinião contrária à repressão policial. A única exceção foi um policial designado para trabalhar em uma praia freqüentada por homossexuais.

Agencia Estado,

27 de julho de 2004 | 14h20

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