Trechos do relatório que descrevem técnicas de tortura usadas pela CIA

Técnicas de interrogação como tapas e "emparedamento" (atirar detentos contra uma parede) eram usadas de maneira combinada, com frequência em associação com privação do sono e nudez

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON , O Estado de S. Paulo

09 de dezembro de 2014 | 20h37

-A privação do sono envolvia a manutenção dos detentos acordados por até 180 horas, normalmente em pé ou em posições estressantes, algumas vezes com suas mãos presas sobre suas cabeças. Pelo menos cinco detentos experimentaram alucinações perturbadoras durante a privação do sono;

-Começando com o primeiro detento da CIA, Abu Zubaydah, e continuando com vários outros, a CIA aplicou suas técnicas de interrogatório forçado com repetição significativa por dias ou semanas de uma vez. Técnicas de interrogação como tapas e “emparedamento” (atirar detentos contra uma parede) eram usadas de maneira combinada, com frequência em associação com privação do sono e nudez;

-Em novembro de 2002, um agente da CIA ordenou que Gul Rahman fosse preso à parede de sua cela em uma posição que obrigava o detento a deitar no chão de concreto. Rahman usava só uma camiseta, pois o agente havia ordenado a retirada de suas roupas (...) No dia seguinte, guardas encontraram Gul Rahaman morto. Uma revisão interna da CIA e a autópsia concluíram que Rahaman morreu de hipotermia;

-Abd al-Rahim al-Nashiri, suspeito de ser ‘planejador de operações terroristas’ da Al-Qaeda (…) foi colocado de pé com as mãos presas sobre sua cabeça por dois dias e meio. Quando ele estava com os olhos vendados, um agente colocou um revólver em sua cabeça e ligou uma furadeira perto de seu corpo;

-O deslocamento sensorial incluiu raspar a cabeça e a face de (Ramzi) bin al- Shibh, expô-lo a ruídos altos em um quarto branco com luzes brancas, mantendo-o ‘sem roupas e sujeito a temperaturas baixas desconfortáveis’ e acorrentado pelas mãos e pés com os braços estendidos sobre sua cabeça; 

-Na primeira metade de 2003, a CIA interrogou quatro detentos com complicações médicas nas extremidades inferiores: dois estavam com pés quebrados, um tinha o tornozelo torcido e um tinha prótese na perna. Interrogadores da CIA acorrentaram cada um dos detentos de pé para privação de sono por longos períodos, até que médicos avaliaram que não podiam mais permanecer naquela posição;

-Pelo menos cinco detentos foram submetidos a ‘reidratação retal’ ou alimentação retal sem necessidade médica documentada. A CIA colocou detentos em banheiras de água gelada. A CIA levou vários detentos a acreditarem que nunca sairiam vivos da custódia da CIA.

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