REUTERS/Federico Rios
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Trégua bilateral com ELN na Colômbia é iniciada

Cessar-fogo se estenderá a princípio até o dia 9 de janeiro e pode permitir maiores avanços nas negociações de paz; líder da guerrilha ordenou a suspensão de ‘todo tipo de ações ofensivas’ no país a partir da meia-noite

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2017 | 20h12

BOGOTÁ - Depois de meio século de luta armada, os rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN) aceitaram a primeira trégua temporária e recíproca na Colômbia, a partir da primeira hora de domingo.

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O cessar-fogo, que envolve as forças guerrilheiras e estatais, se estende a princípio até o dia 9 de janeiro e pode permitir maiores avanços nas negociações de paz, que são conduzidas desde fevereiro entre o governo e o ELN em Quito, para dar fim a um longo conflito.

O líder máximo do ELN, Nicolás Rodríguez, ordenou que a guerrilha suspenda "todo tipo de ações ofensivas" na Colômbia a partir de meia-noite local de domingo. As Forças Armadas receberam instruções por decreto de suspender suas operações contra os guerrilheiros.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, estima que o cessar-fogo pode ser renovado e "seja o primeiro passo para alcançar a paz" com o ELN, após o desarmamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que foram a guerrilha mais antiga e poderosa do continente.

Contudo, a trégua ocorre após uma semana de ataques contra a força pública e a um dos principais oleodutos do país, que deixaram um militar morto e derramamentos de óleo em vários rios nos departamentos do norte de Santander e Arauca, na fronteira com a Venezuela.

Neste sábado, 30, o chefe das negociações do governo, Juan Camilo Restrepo, condenou o que chama de "investida insensata" e disse que espera que o ELN "cumpra seus compromissos" e apague a "má imagem e a incredulidade" que provoca.

Desde janeiro, 47 oficiais das forças públicas morreram ou ficaram feridos nas mãos dos rebeldes, segundo o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas.

Compromissos

O cessar-fogo com o ELN, guerrilha surgida em 1964 inspirada na revolução cubana e de raízes cristãs, vai além do terreno militar. Com cerca de 1,5 mil combatentes, segundo dados oficiais, a organização se comprometeu a interromper, neste período, seus ataques petroleiros, o sequestro de reféns, o recrutamento de menores de 15 anos e a fabricação de artefatos explosivos.

O governo se comprometeu, por sua vez, a melhorar as condições carcerárias dos presos do ELN e a fortalecer a proteção de líderes sociais, que são alvo de ataques que já deixaram 190 mortos desde janeiro de 2016, segundo a Defensoria do Povo, entidade que zela pelos direitos humanos na Colômbia.

O ELN também aceitou analisar "a liberação dos sequestrados que já têm em seu poder", segundo Jorge Restrepo, do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac).

Um mecanismo formado pela ONU, pelo governo, pelos rebeldes e pela Igreja Católica verificará no terreno o cumprimento do pacto. As Nações Unidas vão deslocar observadores para os 33 municípios com maior presença do ELN, enquanto a Igreja vai acompanhar o mecanismo a partir de 20 dioceses. O órgão internacional ficará encarregado de facilitar o entendimento entre as partes em eventuais desacordos.

Criticado por setores conservadores pelas supostas concessões à rebelião armada, o governo de Santos quer selar um acordo com o ELN que leve a uma "paz completa". O líder, que deixará o poder em agosto de 2018, já realizou um pacto que permitiu o desarmamento de 7 mil combatentes e a transformação em partido político das Farc.

Os conflitos que envolveram guerrilhas, grupos paramilitares, narcotraficantes e agentes estatais deixaram pelo menos 7,5 milhões de vítimas entre mortos, desaparecidos e deslocados.

Diferente das Farc

Alguns observadores apontam que o cessar-fogo com o ELN pode ser mais frágil que o das Farc. Isso porque a primeira guerrilha sempre atuou como uma organização muito vertical, enquanto o ELN tem uma estrutura federada.

Essa situação "lhe dá grande autonomia operacional de comando e controle do uso da força em suas frentes e blocos", o que dificulta a negociação, disse Restrepo. "O cessar-fogo está estruturado e definido precariamente.”

Contudo, apesar de as frentes poderem tomar decisões militares autônomas, a trégua é uma decisão política do Comando Central (Coce), explica o cientista político Víctor De Currea-Lugo, especialista na guerrilha. "O ELN hoje está unido, todas as estruturas vão prestar atenção", afirmou. / AFP

 

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