Trégua em Gaza é mantida apesar de começo tumultuado

Militares de Israel disseram que militantes de Gaza violaram a trégua e dispararam foguetes contra seu território

O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 13h27

GAZA/JERUSALÉM - Uma nova trégua entre Israel e o Hamas parecia estar sendo mantida nesta quinta-feira, 14, apesar de um começo turbulento, após ambos os lados terem concordado em dar mais tempo a um cessar-fogo patrocinado pelo Egito para tentar encerrar a guerra em Gaza.

Militares de Israel disseram que militantes de Gaza violaram a trégua e dispararam foguetes contra seu território e que, em resposta, aeronaves israelenses buscaram múltiplos “lançadores de foguetes e pontos de terror” do enclave palestino.

Izzat Reshiq, representante do Hamas, negou que os palestinos haviam violado a trégua, e denunciou os ataques aéreos de Israel como “uma violação da calma”.

Não foram registradas mortes em nenhum dos incidentes, e as hostilidades foram encerradas de madrugada.

A paralisação nos ataques após mais de um mês de confrontos, nos quais 1.945 palestinos e 67 israelenses foram mortos, expirou à meia-noite (horário local) de quarta-feira. A violência é a maior desde que os dois lados travaram uma guerra de três semanas em 2008-2009.

No último minuto, os palestinos anunciaram no Cairo que a trégua havia sido prorrogada por mais cinco dias para que os lados trabalhassem em um cessar-fogo de longo prazo, mediado pelo Egito. “Israel aceitou a extensão do cessar-fogo”, disse um representantes israelense, falando sob condição de anonimato.

Mas lidar com as diferenças entre Israel e os palestinos para garantir um cessar-fogo permanente tem sido difícil.

O Hamas e seus aliados querem encerrar o bloqueio imposto por Israel e Egito contra Gaza. Mas Israel e o Egito possuem grandes preocupações de segurança sobre o Hamas, grupo islâmico que controla o pequeno enclave costeiro à beira do Mediterrâneo, o que complica qualquer acordo para afrouxar as restrições à fronteira de Gaza.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse à emissora oficial do grupo radical islâmico, na quarta-feira, que insistiria em “remover o bloqueio de Gaza” e acabar com restrições sobre movimentação do 1,8 milhão de residentes do território, como um pré-requisito para a “trégua permanente”.

Membros da delegação palestina disseram que voltariam ao Cairo no sábado à noite para começar novas conversas no domingo.

Um representante palestino com conhecimento das negociações no Cairo disse que o Egito havia apresentado uma nova proposta de trégua permanente.

Fontes egípcias e palestinas disseram que Israel havia concordado, de maneira provisória, em permitir a entrada de alguns suprimentos em Gaza e em relaxar as proibições na movimentação de pessoas e bens pela fronteira, embora tenho imposto condições.

Uma demanda palestina para um porto marítimo em Gaza e pela reconstrução de um aeroporto destruído em conflitos anteriores com Israel também tem sido um motivo de impasse, com Israel citando preocupações de segurança para se opor à essa operação. / REUTERS

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