Trégua entre Hamas e Fatah termina e deixa 17 mortos

"O que é isso, se não uma guerra?", questiona o Fatah, prometendo vingança

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h48

Homens armados trocaram tiros dentro de dois hospitais de Gaza e ministros fugiram de seu encontro semanal depois de um ataque à sede do governo palestino nesta segunda-feira, 11. Os incidentes põem fim a uma trégua firmada nas últimas horas entre os grupos rivais Hamas e Fatah. Ninguém ficou ferido e o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, atribuiu o ataque a membros do Fatah. Na noite desta segunda-feira e nas primeiras horas da terça-feira, horário local, os combates entre Fatah e Hamas se espalharam pela Faixa de Gaza. No total, 17 palestinos foram mortos nos combates, na segunda-feira e na madrugada da terça-feira. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, fez novo apelo para uma trégua. "Isso é vergonhoso para o nosso povo. Eu peço a todos que parem com isso imediatamente," disse. Os confrontos entre o partido laico Fatah - do presidente Abbas, e o Hamas, levantaram dúvidas sobre o futuro do governo de união palestino. O Hamas venceu as eleições parlamentares de 2006 e há meses seus militantes vêm travando uma brutal disputa com membros do Fatah pelo controle da segurança da Faixa de Gaza. Estima-se que 620 palestinos foram mortos desde a vitória do Hamas. Pelo menos três pessoas foram mortas nesta segunda no hospital de Beit Hanoun, no norte de Gaza. Combatentes lançaram granadas de morteiros e trocaram tiros diante do hospital Shifa, o maior da Cidade de Gaza. No fim da tarde, homens armados, aparentemente do Hamas, cercaram a casa de Abu al-Jediyan, co-fundador das Brigadas Mártires de Al-Aqsa, braço armado do Fatah, e o assassinaram. Médicos disseram que ele recebeu 45 tiros. Mais cedo, um grupo atirou contra o gabinete do premiê palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas. Ninguém ficou ferido. O primeiro-ministro atribuiu o ataque ao Fatah, que negou. O porta-voz do Fatah, Maher Mikdad, denunciou o assassinato. "O que é isso, senão uma guerra?", ele disse, prometendo vingança. Em uma mensagem, o Fatah ordenou aos seus integrantes que tenham como alvo todos os líderes políticos e militares do Hamas. Mais duas pessoas morreram em batalhas na noite da segunda-feira no norte de Gaza, informaram médicos. Mais tarde, o Hamas informou que um dos seus partidários, seqüestrado mais cedo, foi encontrado morto em uma rua de Gaza. Na madrugada da terça-feira, três mulheres e uma criança foram mortas a tiros, quando militantes do Hamas atacaram a casa de um oficial graduado de segurança do Fatah, Hassan Abu Rabie, com morteiros e granadas. Os atacantes mataram o filho de 14 anos de Rabie e três mulheres que estavam na casa. Ao mesmo tempo, militantes do Fatah invadiram a casa de um político do Hamas e queimaram totalmente a habitação. Os ataques coincidiram com o dia dos testes escolares na região. Os alunos fizeram as provas no clima de guerra em que a região se encontra. Palestinos também invadiram uma mesquita na Cidade de Gaza, danificando uma biblioteca, disse o Hamas. O incidente causou outra troca de tiros diante do templo. O Fatah negou envolvimento. Trégua O combate acabou com o cessar-fogo mediado pelo Egito e que tinha sido anunciado poucas horas antes, e pôs em dúvida as perspectivas da coalizão governista que reúne Hamas e Fatah há três meses. A trégua era uma tentativa de acabar com os confrontos entre as facções, em que cerca de 620 palestinos já morreram. A tensão começou quando o grupo islamita radical Hamas derrotou o mais tradicional e moderado Fatah nas eleições de 2006. Um dos motivos para a tentativa de trégua era permitir que 70 mil alunos do ensino médio em Gaza e na Cisjordânia fizessem sua prova final em clima pacífico. As provas começaram na hora marcada em Gaza, mas a maioria dos alunos preferiu usar caminhos alternativos para evitar os combatentes armados, segundo testemunhas. "O Fatah e o Hamas não ligam para o fato de que estamos fazendo nossa prova final hoje. Como podemos fazer prova ao som de tiros e sirenes de ambulância?", disse Musbah Abu al-Kheir, de 17 anos. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse que está "disposto a renovar as negociações (...) a qualquer momento". Ele vai a Washington na semana que vem e deve se reunir com outros negociadores no Egito até o fim do mês. Abbas cancelou seu encontro com Olmert na semana passada por causa da retenção de impostos palestinos por parte de Israel. Um assessor de Abbas disse que o presidente palestino está disposto a se reunir com Olmert, desde que Israel libere o dinheiro. Atualizado às 21h41.

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