REUTERS/Abdalrhman Ismail
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Cessar-fogo temporário na cidade síria de Alepo termina e não é prorrogado

Comboio de ajuda humanitária que deveria entregar leite materno e ajuda médica e escolar à cidade de Daraya não conseguiu entrar no local

O Estado de S. Paulo

13 Maio 2016 | 12h32

BEIRUTE - A trégua temporária entre o regime sírio e os rebeldes na cidade de Alepo expirou na quinta-feira e não foi prorrogada, enquanto o comboio de ajuda humanitária que abasteceria Daraya teve sua entrada proibida. O conflito continua fazendo estragos e tirando vidas em toda a Síria.

Na província de Idleb, no norte do território sírio, mais de 60 bombardeios foram registrados contra um aeroporto militar controlado pela Frente Al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda, e outras facções islamistas, matando pelo menos 16 extremistas, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que não soube informar a autoria dos ataques.

Mais cedo, o regime atacou o reduto rebelde em Ghutta Oriental, perto de Damasco, e a Al-Qaeda e seus aliados tomaram um povoado alauita no centro do país. No sul, ocorriam combates entre os rebeldes e os jihadistas do grupo Estado Islâmico.

Os extremistas infligiram nos dois últimos dias um importante revés ao Exército sírio ao isolar a cidade de Palmyra, poucos dias depois de o regime e seus aliados russos terem celebrado a reconquista da cidade antiga.

Em Alepo, o cessar-fogo temporário imposto há uma semana expirou à meia-noite do horário local, sem ser prolongado.

Durante a noite, dois rebeldes morreram em um bombardeio no bairro de Al-Shaar, indicou o OSDH. Segundo a Defesa Civil, dois barris explosivos foram lançados pela força aérea em um bairro rebelde, sem deixar vítimas.

Quase 300 pessoas morreram em Alepo nos combates que desde o dia 22 de abril abalaram o cessar-fogo instaurado na Síria em 27 de fevereiro, impulsionado por Moscou e Washington.

Após esse fracasso, o conflito voltará a ser o tema central da reunião do Grupo Internacional de Apoio à Síria (GIAS), copresidido pela Rússia e pelos EUA, no dia 17 de maio em Viena, num momento em que Moscou e Washington prometeram redobrar esforços para encontrar uma solução política para o conflito sírio.

Mas para o coordenador da oposição Riad Hijab, "há cinco anos o povo sírio morre". "Queremos atos, e não apenas palavras, por parte de nossos amigos. Esperamos que os EUA, a França, a Grã-Bretanha, a Alemanha e os outros atuem em terra." Ele lembrou que os rebeldes lutam contra o regime e seus aliados, assim como contra o Estado Islâmico e as forças curdas.

Hijab exigiu armas antiaéreas para se defender dos bombardeios e medidas contra o regime que conta, segundo ele, com "a aprovação para continuar seus abusos".

Ajuda humanitária. O comboio que deveria entregar ajuda humanitária à cidade síria de Daraya, que está sitiada, não conseguiu entrar no local na quinta-feira pela primeira vez desde o início do cerco, em 2012, informou a Cruz Vermelha.

"Lamentavelmente nosso comboio com as Nações Unidas e o Crescente Vermelho não pode entrar em Daraya, embora tenha sido dada uma autorização prévia de ambos os lados", indicou no Twitter o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

"Pedimos com urgência às autoridades responsáveis que nos garantam o acesso a Daraya, e assim poderemos retornar com ajuda de comida e remédios que são necessários com urgência".

A diretora na Síria do CICV, Marianne Gasser, que formava parte do comboio, descreveu como trágica a negativa de acesso. "As comunidades de Daraya precisam de tudo, é trágico que inclusive (a entrega de) bens básicos que traríamos seja atrasada desnecessariamente", afirmou.

Daraya tinha uma população de 80 mil pessoas antes da guerra, mas este número caiu em 90%. Os habitantes que permanecem no local lidam com importantes carências e uma séria desnutrição.

O comboio, formado por cinco caminhões do CICV, das Nações Unidas e do Crescente Vermelho sírio deveria entregar leite materno e ajuda médica e escolar. Segundo a ONU, 400 mil pessoas vivem sob cerco na Síria. /AFP

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