Treinador brasileiro da Líbia volta com família

Problemas na obtenção de voos, atrasos nas partidas, receio dos conflitos nas ruas e até o mau tempo prejudicam a retirada de outros cidadãos

Guilherme Russo, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

A dificuldade de obter transporte e o receio de deparar-se com conflitos entre apoiadores de Muamar Kadafi e rebeldes estão marcando o retorno de milhares de estrangeiros que tentam deixar a Líbia nos últimos dias. Até ontem, segundo o Itamaraty, a "grande maioria" dos brasileiros que vivia na Líbia havia deixado o país.

O técnico de futebol Marco Paquetá, brasileiro que treinava a seleção líbia, contou com a ajuda da embaixada brasileira para sair de Trípoli, onde morava havia seis meses com a mulher e a filha de 13 anos.

"Quando a coisa começou a se complicar em Benghazi e Baida, conversei com a embaixada para a retirada das famílias (dele e de outros cinco brasileiros que o auxiliavam na comissão técnica). Dois dias antes de embarcar, fui à casa do embaixador (George Ney de Souza) pedir carros e um acompanhamento (para o grupo composto por 13 brasileiros)", afirmou.

Paquetá disse que a embaixada cedeu três carros, mas que "não foram necessários agentes de seguranças". Na véspera do embarque, outro cuidado: o técnico foi ao aeroporto de Trípoli, para analisar o trajeto e saber que situação encontraria no terminal lotado. "Não havia como prever o que poderia acontecer. Tinha gente tentando sair de lá há três ou quatro dias", disse.

O técnico afirmou que seu grupo só conseguiu deixar a Líbia se dividindo em dois voos a Roma. "As crianças menores foram com os pais antes", afirmou, contando que as decolagens se atrasaram em mais de quatro horas.

Na manhã da quinta-feira, Paquetá desembarcou no Rio de Janeiro com a família. Ele contou que não chegou a testemunhar nenhum conflito entre rebeldes e apoiadores de Kadafi, mas que, nos últimos dias que passou em Trípoli, viu as ruas do centro totalmente esvaziadas, com o comércio fechado. Segundo o técnico, a população tinha receio de que ocorressem saques e preferia permanecer nas suas casas.

O técnico disse que pretende voltar às suas atividades à frente da seleção líbia assim que a violência no país terminar.

O Itamaraty informou ontem que a embarcação que deveria retirar 148 funcionários da Queiroz Galvão de Benghazi, principal palco da revolta líbia, ficou presa no país por causa do mau tempo e só deve deixar a cidade na manhã de hoje. Andrade Gutierrez, Petrobrás e Odebrecht anunciaram ter retirado 128 funcionários brasileiros do país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.