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Treinamento do Exército dos EUA enfoca em estratégia

O Exército dos Estados Unidos está preparando um pequeno grupo de oficiais, que deverão formar sua futura liderança, para pensar não apenas na guerra, mas expandir seus horizontes para questões de segurança e o impacto das políticas dos EUA sobre a imagem que o mundo tem de Washington. A maior ala dos Exército americano reestruturou seu programa de aperfeiçoamento para oficiais de postos médios, acrescentando um componente de política e oferecendo treinamento em problemas de segurança não tradicionais, a fim de criar o que chamou de "pensadores estratégicos", armados com ferramentas intangíveis, como a persuasão e a comunicação. Essas habilidades são vistas por oficiais jovens como cruciais para sua liderança de tropas em solo, especialmente no Iraque e no Afeganistão, onde os soldados não estão apenas combatendo rebeldes, mas também tentando policiar e reconstruir comunidades. "Se continuarmos completamente atados ao pensamento militar convencional, teremos cortinas fechadas que nos tornarão irrelevantes, até certo ponto, em ambientes como o Iraque", disse o major Todd Schmidt, um dentre os cerca de 20 oficiais que estão no programa. O foco do Exército em pensamento estratégico e capacidade de comunicação para seu próximo grupo de líderes foi anunciado em um momento em que os EUA enfrentam críticas em todo o mundo por seu comando na guerra do Iraque. Alguns oficiais militares dizem que a falta de capacidade de Washington para criar uma mensagem convincente sobre as metas dos EUA prejudicou as tropas em sua missão. Através de um "estágio" no programa de três anos --que inclui o mestrado em administração política da Universidade Georgetown e períodos de trabalho junto a Secretaria de Defesa e Estado-Maior das Forças Armadas --o Exército espera formar um grupo de oficiais que entendam o contexto do combate, disse o tenente-coronel Jodi Horton, supervisor do programa. O treinamento também é baseado na idéia de que a estratégia não é atividade exclusiva das lideranças política e militar, mas algo que deve ser utilizado por todos os soldados, desde comandantes até soldados-rasos. "Não creio que haja um nível puramente tático," disse Brian Fishman, professor do Centro de Combate ao Terrorismo, na Academia Militar de West Point. "O nível estratégico vai até o líder de pelotão." O major Kevin Williams, oficial participando do programa, disse que os escândalos de abusos na prisão de Abu Ghraib mostram como as ações dos soldados, mesmo um punhado deles, pode ter implicações estratégicas na guerra. Questões de imagem Neste mês, oficiais do grupo encontraram-se em Nova York com acadêmicos, consultores, representantes do setor privado e de órgãos de segurança para discutir vigilância, segurança energética e criminalidade financeira, entre outras questões. Eles também se encontraram com uma das maiores agências de publicidade do mundo, para conversar sobre a persuasão. Os soldados transformaram a apresentação da agência em uma intensa discussão sobre maneiras de criar uma mensagem mais persuasiva sobre as metas dos Estados Unidos no Oriente Médio, e modos de melhorar a imagem do país como governo e sociedade. Os executivos, que preferiram não ser identificados, não tinham muitas respostas para as perguntas dos oficiais. Um executivo disse que todas as mensagens de Washington sofrem de falta de credibilidade, e deveriam ser transmitidas pelo setor privado dos EUA, através de uma campanha de turismo. Um boa idéia, mas não oferece muita esperança aos militares hoje, disse um oficial.

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