AFP PHOTO / PEDRO PARDO
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Tremor no México coloca à prova sistema de alerta da capital 

Depois de abalo de 1985, que deixou mais de 10 mil mortos, Cidade do México investiu em segurança 

O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2017 | 21h56

CIDADE DO MÉXICO - O forte terremoto de hoje na costa sul do México disparou rapidamente um alarme sonoro em toda capital do país. Alertados por 8,2 mil megafones instalados na Cidade do México, os 20 milhões de habitantes da cidade saíram de suas casas, muitos ainda de pijama, em um exercício de redução de danos, 32 anos depois de um tremor ter devastado a cidade, deixando 10 mil mortos.

Há duas décadas, a associação Cires fornece à capital mexicana um sistema de sensores distribuídos ao longo da costa do Pacífico, onde o risco de terremotos é maior. Uma vez detectado o abalo sísmico, o sistema lança uma onda que desencadeia os alarmes em escolas, ministérios e outros escritórios, interrompendo automaticamente as transmissões de rádio. Os mexicanos têm, então, um minuto para reagir e deixar os edifícios antes que eles comecem a tremer.

A preocupação é necessária porque as ondas sísmicas podem percorrer em poucos minutos as centenas de quilômetros que separam o litoral da capital e há o risco de danos significativos, uma vez que a megalópole é construída sobre um antigo lago.

Essa tecnologia não estava disponível durante o terremoto de 19 de setembro de 1985, de 8,1 graus na escala Richter. Esse sismo devastou a capital, matando mais de 10 mil pessoas.

Instalados em um prédio de três andares, os servidores da associação Cires detectam todas as vibrações no solo e deflagram automaticamente os alarmes. Desde o lançamento do sistema, em 1993, as sirenes soaram mais de 60 vezes em razão de terremotos com intensidade de pelo menos 6 graus na escala Richter.

A tecnologia dos smartphones também se disseminou no México nos últimos anos, permitindo que seus habitantes recebessem alertas por meio de aplicativos como SkyAlert ou Alerta Sísmica DF, o que aumentou a segurança da população.

Dois segundos após o início de um terremoto, o SkyAlert envia um sinal para os telefones celulares, que soam a mensagem “alerta sísmico” e indicam a intensidade do terremoto. Lançado em 2013, o aplicativo era inicialmente conectado ao sistema Cires, mas seu fundador, Alejandro Cantu, implantou na costa mexicana seus próprios sensores trazidos do Japão.

O aplicativo se popularizou rapidamente e a versão gratuita tinha mais de 3 milhões de usuários em 2015. Uma versão paga foi lançada depois, o que permite personalizar os alertas. Para avisar seus usuários, o aplicativo usa uma rede de banda larga em vez de linhas telefônicas. Ontem, no entanto, o aplicativo SkyAlert permaneceu desesperadamente mudo e a maior parte dos moradores da cidade recorreu ao Cires. / AFP

 

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