Tremor deixa quase 8.000 desabrigados no Japão

Terremoto de magnitude 6,8 deixou ao menos sete mortos. Previsão de chuva na área aumenta temores

Issei Kato, REUTERS

16 Julho 2007 | 17h52

Quase 8.000 pessoas passaram uma noite nervosa em abrigos do noroeste do Japão depois do forte terremoto que destruiu centenas de casas e matou pelo menos sete pessoas. A previsão de dois dias de chuva na área aumenta os temores de novos deslizamentos de terra, que agravariam a devastação. O terremoto de magnitude 6,8 também interrompeu o fornecimento de água, luz e eletricidade na região de Niigata. Houve também um pequeno vazamento de radiação e um incêndio já controlado na maior usina nuclear do mundo. As sete vítimas fatais são idosos, segundo a polícia, e um homem de 77 anos desapareceu ao sair para caminhar antes do tremor, às 10h13 de segunda-feira (22h13 de domingo, no horário de Brasília). O terremoto feriu mais de 800 pessoas. O empresário Koji Tamura, 45 anos, estava trabalhando naquele momento. "Voltei para casa e encontrei-a destruída", afirmou ele num abrigo de Kashiwazaki. "Eu estava preocupado com minha mãe --achei que tivesse sido esmagada. Mas fiquei aliviada por encontrá-la viva." Falta gás em 35 mil lares, e toda a cidade de Kashiwazaki, que tem cerca de 95 mil habitantes e foi a mais atingida, está com problemas de abastecimento de água. Autoridades e imprensa locais disseram que 25 mil casas estão sem eletricidade na prefeitura de Niigata. Os tremores secundários continuaram durante a noite (dia no Brasil). Já no final da noite o país foi abalado por um tremor profundo no mar do Japão, com magnitude estimada entre 6,6 e 6,8. Prédios em Tóquio tremeram, mas não há relatos de outros danos. O Japão é um dos países mais propensos a terremotos no mundo. A empresa Tokyo Electric Power Co (TEPCO) disse que 1,5 litro de água com material radiativo vazou de uma unidade da sua usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo. A água contaminada caiu no mar, mas não tem efeito sobre o meio ambiente, segundo nota da empresa, acrescentando que o terremoto foi mais forte do que aquilo que seus reatores estão preparados para suportar. Um incêndio num transformador da usina foi rapidamente controlado, mas ainda não se sabe quando a TEPCO poderá retomar o funcionamento de três geradores. Casas desabaram, muitas delas de madeira e com tradicionais telhados de tijolos pesados, e estradas apresentaram rachaduras devido ao tremor de segunda-feira, cujo epicentro foi na mesma área do noroeste japonês onde há três anos um terremoto matou cerca de 65 pessoas. Niigata foi atingida em outubro de 2004 por um tremor também de magnitude 6,8, que deixou mais de 3.000 feridos. Aquele foi o terremoto mais devastador no Japão desde o de Kobe, com magnitude 7,3, que matou mais de 6.400 pessoas em 1995. (Reportagem adicional de Elaine Lies, George Nishiyama, Chisa Fujioka, Teruaki Ueno e Linda Sieg)

Mais conteúdo sobre:
Terremoto Japão Desabrigados

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.