EFE
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Tremor derruba escola e mata ao menos 32 crianças na capital mexicana

Abalo de 7,1 graus que atingiu o país na terça-feira destruiu a escola Enrique Rébsamen, que oferecia aulas para turmas de pré-escola, ensino fundamental e ensino médio; ao menos 5 adultos também morreram e outras 38 pessoas estariam desaparecidas

O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 01h04
Atualizado 20 Setembro 2017 | 10h12

CIDADE DO MÉXICO - A maior tragédia do terremoto de 7,1 graus que atingiu o México na terça-feira, 19, ocorreu na capital mexicana, onde a escola Enrique Rébsamen desabou deixando dezenas de mortos e feridos, incluindo muitas crianças. 

De acordo com a imprensa local, já foram localizado os corpos de 37 vítimas, das quais 32 são crianças e 5 são adultos. Além disso, mais cedo o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, informou que outras 30 crianças e 8 adultos ainda estariam desaparecidos, possivelmente presos aos escombros.

Peña Nieto visitou a escola - que tinha três andares, mas após o terremoto teve sua estrutura reduzida e estava a ponto de desabar completamente - durante a noite. A instituição oferecia aulas para turmas de pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. 

A escola, localizada no extremo sul da cidade, é considerada um dos principais locais para ser atendidos pelas equipes de resgate. Na frente do edifício escolar há dezenas de pessoas esperando notícias de seus filhos. Alguns afirmaram terem recebido mensagens de texto das crianças que ainda não foram resgatadas.

Enquanto aguardava  informações sobre sua filha de sete anos, que ainda não tinha sido localizada, Adriana Fargo mordia os lábios angustiada. "Não há poder humano que possa imaginar a dor que estou passando", disse ela durante a madrugada em um abrigo improvisado perto da escola.

Sentado em uma cadeira com os punhos cerrados e o olhar fixo no chão, essa mulher de cabelos ruivos estava tão traumatizada que não conseguiu pronunciar o nome da filha. Quando perguntada sobre quem espera, ela só consegue apertar seus lábios para conter um sentimento inconsolável.

Enquanto isso, seu marido trabalhava ombro a ombro com as centenas de soldados, bombeiros e socorristas que, em meio à escuridão da madrugada, retiravam cuidadosamente os destroços enquanto buscavam por sinais de vida dos pequeninos.

Com picaretas, pás e até mesmo as próprias mãos, esses homens - que não dormiram e praticamente não comeram por quase 24 horas - não pouparam esforços na angustiante corrida contra o tempo para encontrar mais de 30 pessoas  que ainda estão desaparecidas nesta escola.

"Silêncio, por favor! Não andem, não respirem, porque tentaremos ouvir as vozes" das crianças presas, disse um policial em um megafone, enquanto um grupo de voluntários, com lanternas em suas cabeças, carregava longas vigas de madeira para sustentar o telhado à beira do colapso, em uma área cercada pelo Exército e quase impossível de ser acessada pela imprensa e por civis.

O Exército e a Marinha, que comandam as tarefas de busca entre os escombros da escola, informaram que a maioria dos resgatados foram levados a um hospital civis da Cidade do México, mas que alguns foram atendidos em uma instalação da Marinha.

Os socorristas conseguiram contato com pelo menos uma criança que está entre os escombros, e lhe passaram um tubo de oxigênio. No momento do sismo, às 13h14 no horário local, as escolas estavam em plena atividade. 

"Esse é o lugar onde há maior número de crianças que podem ter perdido a vida", disse Luis Felipe Puente, diretor geral de Proteção Civil do Interior em uma entrevista à imprensa local. Até o momento pelo menos 14 pessoas já foram resgatados com vida, sendo 11 crianças. / EFE, REUTERS e AFP

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