Tremor foi sentido em Manaus e Porto Velho

Uruguai foi o único país da América Latina que não foi atingido

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

Referência no estudo e monitoramento de abalos sísmicos, o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) constatou que o terremoto de anteontem, no Peru, atingiu 8,0 graus na escala Richter e ocorreu a apenas 40 quilômetros da superfície. A força do tremor e a pequena profundidade facilitaram a disseminação de suas ondas até o Oceano Atlântico, passando por Porto Velho (RO) e Manaus (AM), conforme explicou Lucas Vieira Barros, chefe do SIS/UnB. O mapa de localização do epicentro, elaborado ontem pelo observatório, indica que as ondas sísmicas do terremoto do Peru atingiram todos os países sul-americanos, com exceção do Uruguai. Mesmo em Brasília, a 3.100 quilômetros, a estação coordenada pelo SIS/UnB foi capaz de registrar o fenômeno. Vieira Barros explicou que a região da Cordilheira dos Andes está na ponta de duas enormes placas de rocha da América do Sul - as placas tectônicas de Nazca e a Sul-Americana. Quando elas se tocam, ocorrem os terremotos de maior magnitude. No caso peruano, a placa de Nazca "mergulhou" por baixo da Sul-Americana a uma profundidade de 40 quilômetros da superfície. Como é cíclico, esse fenômeno tende a se repetir na região. TREMOR RECORDEContudo, os estudiosos não têm como prever o momento de um novo abalo. Segundo o Observatório Sismológico, foi essa mesma movimentação de placas que provocou o terremoto mais forte da era moderna, em 1960, no Chile, que chegou à magnitude de 9,5 na escala Richter. O tremor recorde causou um tsunami que cruzou o Oceano Pacífico e chegou à Nova Zelândia, Japão e Havaí.Em sua versão original, a escala Richter varia de 1 a 9. Como não há um limite teórico, um tremor pode superar os 9 graus, como aconteceu no Chile. A gradação entre 8 e 9 indica terremotos que trazem sérios desastres em um raio de centenas de quilômetros e que tendem a se repetir em um prazo de um ano. RISCO NO BRASILO Brasil não está livre de terremotos. A região de Porto dos Gaúchos, no Mato Grosso, é a área de maior risco do País. O terremoto mais conhecido do Brasil aconteceu justamente ali, em 1955, e atingiu 6,6 graus na escala Richter. "Essa região está sujeita a terremotos de magnitude 6 na escala Richter", afirmou Vieira Barros. "Nossa preocupação é que quando ocorreu esse tremor, em 1955, essa região era praticamente desabitada. Hoje, há mais de 100 mil pessoas vivendo em sete cidades na região." Além dele, outros 12 tiveram magnitude superior a 5 graus. Outras áreas de risco no País são a costa marítima de Vitória (ES), que registrou, também em 1955 um tremor de 6,3 graus, João Câmara (RN), Fortaleza (CE) e Caruaru (PE). Quanto mais profundo, entretanto, menor o poder de destruição de um terremoto. Em julho, um tremor na divisa dos Estados do Acre e do Amazonas alcançou a magnitude 6,1 da escala Richter, mas sua profundidade - 630 quilômetros - minimizou seus efeitos.

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