Tremor mata mais de 12 mil na China; chuva atrapalha resgate

Equipes de resgate alcançam epicentro de terremoto; pelo menos 18 mil estão soterrados em uma única cidade

Agências internacionais, REUTERS

13 de maio de 2008 | 13h36

O terremoto mais devastador a atingir a China em três décadas matou mais de 12 mil pessoas, mas a cifra de vítimas fatais deve aumentar depois de meios de comunicação oficiais do país terem afirmado nesta terça-feira, 13, que em apenas uma cidade chinesa, quase 19 mil pessoas encontravam-se sob os escombros. Além disso, tempestades prejudicavam os esforços de resgate na região montanhosa que cerca o ponto onde ficou localizado o epicentro do terremoto de segunda-feira, de magnitude 7,9 e responsável por causar uma grande devastação na Província de Sichuan.  Veja também:Mau tempo dificulta resgates em cidade chinesaRéplica de 6,1 graus atinge capital de SichuanEUA vão dar US$500 mil para ajudar a China China simplifica caminho da tochaTremor prende 8 turistas por 26h em teleféricoEntenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto Meios de comunicação divulgavam imagens da destruição enquanto um pequeno contingente de autoridades chegava aos vilarejos das proximidades do epicentro, em Wenchuan, um afastado condado isolado pelos deslizamentos de terra e localizado cerca de 100 quilômetros a noroeste de Chengdu (capital de Sichuan).  Segundo a BBC, as autoridades chinesas afirmam que mais de 3,5 milhões de casas foram destruídas pelo terremoto. Cerca de 100 mil pessoas vivem na região, e as equipes de resgate que chegaram ao local, formadas por 1,3 mil soldados e membros de equipes médicas, ainda não enviaram relatos atualizados sobre o número de vítimas. Em Yingxiu, uma cidade com 12 mil moradores, apenas 2 mil foram encontrados com vida, afirmou He Biao, uma autoridade, segundo um canal estatal de TV. "Eles podiam ouvir as pessoas debaixo dos destroços pedindo ajuda, mas ninguém conseguia ajudá-las porque não havia equipes de resgate na área", disse He. Cerca de 60 mil pessoas ainda precisam ter seu paradeiro determinado. "Do que mais precisamos é de remédios. Não há remédios, não há médicos e, depois de tanto tempo, não há comida", afirmou a autoridade. Mais de 12 mil pessoas morreram em Sichuan e outras 26 mil ficaram feridas, segundo o vice-governador da Província, Li Chengyun.Outras 18.645 pessoas ficaram também soterradas sob destroços na cidade de Mianyang, vizinha a Wenchuan, disse a agência chinesa de notícias Xinhua, sugerindo que a cifra de mortos deve elevar-se muito ainda. Milhares teriam sido atingidos pelo desmoronamento de fábricas, escolas e outros prédios em outros pontos da área. Centenas mais morreram em Províncias vizinhas.  No início do dia, a agência de notícias Xinhua disse que 10 mil pessoas estariam soterradas somente na área de Mianzhu, no sudoeste da província de Sichuan. Mais tarde, foi informado que pelo menos 4,8 mil pessoas estariam soterradas na cidade que e vários deslizamentos de terras impedem o acesso ao local. Em Shifang, duas fábricas de químicos desmoronaram e mais de 2 mil pessoas ficaram presas nos escombros. Cerca de 80 toneladas de material corrosivo vazaram, 6 mil pessoas tiveram de ser evacuadas e, segundo a Xinhua, 600 pessoas morreram. No centro de pesquisas e reprodução de ursos panda de Wolong, em Wechuan, ainda não há relatos sobre o estado dos funcionários e dos turistas que estavam no local no momento do terremoto. Também foram registradas mortes fora da província de Sichuan. A agência de notícias chinesa afirma que pelo menos 300 pessoas morreram em Gansu, Shaanxi e Chongqing. Reservatórios em perigoHe disse que vários reservatórios de água construídos no rio Min, um importante afluente do Yang Tsé que atravessa a região atingida pelo terremoto, encontravam-se "em uma situação muito perigosa e as represas podem estourar".  Autoridades também advertiram que violentos tremores pós-terremoto podem atingir a região provocando deslizamentos de terra, o que aumentaria ainda mais o número de mortos. Um abalo do tipo, um dos 2.354 registrados na Província ao longo do último dia, atingiu com força Chengdu, na terça-feira, deixando os moradores da cidade apreensivos. Mais de 50 mil soldados começaram a participar dos esforços de resgate ou a ingressar na região atingida. Milhares foram jogados de pára-quedas sobre Wenchuan, onde a chuva e nuvens pesadas impediram os helicópteros militares de pousar. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em visita a Sichuan, mandou que os militares liberassem as estradas de acesso a Wenchuan.

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