Clara Prima/AFP
Clara Prima/AFP

Tremor, tsunami e vulcão matam 126 na Indonésia; desaparecidos são 500

Hecatombe. Sequência de desastres naturais leva morte e destruição ao maior arquipélago do mundo e amplia risco de nova erupção sem precedentes, apenas seis anos depois da catástrofe que teve origem na mesma região e matou 230 mil pessoas em 14 países

REUTERS, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

JACARTA - Um terremoto de 7,7 graus na escala Richter, seguido de um tsunami e uma erupção vulcânica, deixou pelo menos 126 mortos e 500 desaparecidos nas ilhas que formam a Indonésia, maior arquipélago do mundo, no Sudeste Asiático.

O epicentro do tremor foi localizado nas Ilhas Mentawai, na noite de segunda-feira. O local atrai turistas do mundo todo. Pelo menos oito estrangeiros estavam entre os desaparecidos até a noite de ontem - nenhum deles é brasileiro, de acordo com o Itamaraty.

As ondas provocadas pelo abalo sísmico atingiram 3 metros de altura nas cidades de Pagai e Silabu e avançaram mais de 600 metros na direção do interior das mais de 17 mil ilhas que formam o arquipélago, onde vivem mais de 200 milhões de pessoas. Depois do terremoto e das ondas gigantes, o Vulcão Merapi entrou numa sequência de erupções na Ilha de Java - a 2.000 km das Ilhas Mentawai -, lançando uma densa nuvem de fuligem negra pelos ares. Pelo menos 13 pessoas, incluindo um bebê de 2 meses, morreram e dezenas foram internadas com queimaduras graves, segundo a agência AFP.

Até ontem, nenhum especialista havia relacionado o tremor na região de Mentawai, no noroeste do arquipélago, à erupção do Merapi, no centro-sul da Indonésia e cujo aumento de atividade vinha sendo registrado havia vários dias.

A sequência de desastres naturais ocorre quase seis anos após um tsunami ter varrido a costa do sul da Ásia, a Oceania e países do leste africano, matando 230 mil pessoas em 14 países - 168 mil somente na Indonésia.

Em 1994, o Vulcão Merapi lançou uma avalanche de rochas, cinzas e gases tóxicos matando 60 pessoas. Em 1930, um desastre semelhante matou 1.300 indonésios no mesmo local. Há 129 vulcões ativos em toda a Indonésia e especialistas dizem que uma erupção sem precedentes pode ocorrer nos próximos meses ou semanas no Merapi.

"A energia está aumentando muito. Esperamos que ela seja liberada aos poucos. Do contrário, teremos realmente uma enorme erupção, maior do que tudo o que vimos nos últimos anos", disse o responsável pelo serviço de monitoramento de vulcões na Indonésia, que - como a maioria dos indonésios - usa apenas o sobrenome, Surono.

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O arquipélago indonésio está localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, uma linha imaginária em forma de ferradura que vai da costa do Chile, na América do Sul, até a Oceania, passando pela América do Norte e a Ásia. Nesta linha estão concentrados 450 vulcões, o que equivale a 75% dos vulcões ativos do planeta.

Doenças. A experiência de 2004 mostrou que, quando o mar recua após um tsunami, deixa, além de um enorme rastro de destruição, um ambiente propício para a propagação de doenças. A água potável e os alimentos se contaminam, uma vez que a água salgada invade as tubulações, misturando o esgoto com as redes de água tratada.

A subida da maré ainda impede que as equipes de resgate tenham acesso a todas as zonas afetadas. Uma equipe da Cruz Vermelha local que tentou chegar ontem a Padang, teve de recuar, já que, em vários pontos, as passagens estão cortadas. O governo diz que muitos feridos têm dificuldade para chegar aos centros médicos.

PARA LEMBRAR

Maremoto de 2004 devastou vilas inteiras

Em dezembro de 2004, um terremoto de magnitude superior a 9 na costa de Sumatra, a algumas centenas de quilômetros do local do tremor de segunda-feira, causou o pior tsunami já registrado, que matou mais de 230 mil pessoas em 14 países da Ásia e da África. Do total de mortos, 168 mil eram indonésios. A Indonésia está localizada sobre o "Círculo de Fogo do Pacífico", zona de grande atividade sísmica e vulcânica que é abalada por cerca de 7 mil tremores ao ano, moderados em sua maioria.

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