Tremores são mais devastadores porque áreas são mais povoadas, diz especialista

Técnico espanhol afirma que não foi o número de tremores que aumentou

BBC Brasil, BBC

14 de abril de 2010 | 09h18

Com os terremotos devastadores como o de 7,1 graus de magnitude que atingiu a China nesta quarta-feira, 14, e os que sacudiram recentemente o Haiti e o Chile, poderia se pensar que houve um aumento na atividade sísmica da Terra. Segundo especialistas, porém, os tremores seguem um padrão mais ou menos constante.

 

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Cientistas vêm observando este padrão desde o início do século 20, quando começaram os registros geológicos. Segundo o US Geological Survey (USGS, a agência americana que monitora terremotos), os registros mostram que desde 1900 há cerca de 18 terremotos "importantes" (com magnitude de 7,0 a 7,9) e um "grande" terremoto (com magnitude de 8,0, ou maior), a cada ano.

"Não têm ocorrido mais terremotos no mundo", disse o professor Francisco Vidal Sánchez, especialista em terremotos do Instituto Andaluz de Geofísica da Universidade de Granada. "Os terremotos são processos condicionados no tempo em cada zona, e se olharmos a distribuição em escala global, poderíamos considerá-los um processo aleatório."

Os especialistas, porém, afirmam que não é a força dos tremores que os torna cada vez mais devastadores. A Terra não treme mais que antes, o que ocorre é um aumento na densidade populacional nas zonas de risco.

Assim, a percepção de que esses fenômenos estão aumentando e são cada vez mais destruidores se deve ao fato de que o público só fica sabendo dos terremotos que devastam zonas populosas, como no caso do Haiti e do Chile.

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"Em escala global, os terremotos destruidores - que são os que 'viram manchete' - às vezes parecem se agrupar no tempo porque ocorrem em zonas povoadas", explica Francisco Vidal. "Mas há ocasiões em que ocorrem mais terremotos e que não necessariamente são tão destruidores porque não têm efeito sobre as pessoas."

Outro fator é a melhora na comunicação global. Há apenas algumas décadas, o mundo não ficava sabendo de um grande terremoto na China ou na Indonésia, por exemplo, até alguns dias ou semanas depois de sua ocorrência. Quando a notícia chegava às redações, normalmente ficava relegada às páginas interiores dos jornais.

A identificação desses fenômenos também aumentou nos últimos 20 anos, graças a um maior número de estações medidoras no mundo e a melhorias na comunicação global, o que explicaria a impressão de que o número de sismos teria aumentado.

Segundo o USGS, em 1931 havia apenas 350 estações medidoras no mundo. Hoje há mais de 4 mil estações, e os dados recolhidos por elas podem viajar rapidamente através do planeta via satélite e internet.

"As estatísticas geológicas nos mostram que os grandes terremotos, como o do Chile ou o de Sumatra, em 2004, são fenômenos que ocorrem com uma frequência de um por ano", explica Vidal. "Mas também podem se passar cinco anos sem nenhum terremoto forte para que depois ocorram quatro ou cinco, seguidamente, em diferentes partes do mundo."

Energia acumulada

Segundo o especialista, outra crença comum - e errada - sobre os terremotos é que se não ocorrem movimentos de terra durante muito tempo em uma zona de risco, logo ocorrerá um terremoto de grande magnitude.

A falta de atividade sísmica não significa necessariamente que deve ocorrer um grande terremoto, porque um aumento ou diminuição nessa atividade faz parte de uma variação natural da zona. "Já foram observadas irregularidades em diferentes lugares do mundo", diz Francisco Vidal. "Em alguns lugares, a energia é 'relaxada' antes que se acumule toda a energia possível, em outros lugares, ela é liberada de uma vez. Ou seja, é diferente de um lugar para o outro."

Atualmente, os cientistas não têm como saber se o aumento ou a diminuição da atividade sísmica de uma zona levará a um grande terremoto ou a um tremor de menor magnitude.

Como diz Francisco Vidal, a única certeza hoje em dia é que um terremoto será mais devastador dependendo de quão populosa for a zona afetada. "Por isso, estão sendo criados movimentos em nível internacional para a prevenção de desastres naturais e, fundamentalmente, (do impacto de) terremotos."

"E esta prevenção está orientada a reduzir a vulnerabilidade de um país diminuindo a densidade da população exposta ao risco e aumentando as medidas preventivas de resistência aos sismos e de atenção depois do desastre", conclui

 

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