REUTERS/Youssef Boudlal
REUTERS/Youssef Boudlal

Três anos após genocídio, mais de 3 mil iraquianos de minoria curda permanecem sequestrados pelo EI

Entre eles, cerca de 1,5 mil são mulheres, mantidas como escravas sexuais; jihadistas consideram os yazidis como infiéis

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 10h55

DOHUK, IRAQUE - Três anos após o genocídio - reconhecido pela ONU - realizado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) contra a minoria yazidi no Iraque, 3.325 deles permanecem sequestrados em regiões sob controle dos extremistas e milhares continuam deslocados.

Entre os sequestrados, ao menos 1.597 são mulheres, mantidas como escravas sexuais, relatou o representante do departamento de Assuntos Yazidis do governo autônomo do Curdistão iraquiano, Idan Sheikh Kalo.

Os yazidis, minoria de etnia curda e cuja religião se baseia no zoroastrismo, foram duramente perseguidos no Iraque pelo EI, que os considera infiéis.

Já se passaram três anos desde que, no dia 3 de agosto de 2014, os homens da minoria foram alvos de um massacre, enquanto milhares de mulheres e crianças foram sequestradas.

Desde então, pelo menos 4.038 yazidis foram assassinados pelos jihadistas, parte deles jogados em 43 valas comuns encontradas até o momento, segundo a contagem do departamento yazidi.

Acredita-se que a maioria dos sequestrados esteja vivendo em zonas como Tal Afar, no norte do Iraque, e na cidade síria de Raqqa, considerada a capital do califado autoproclamado pelo EI. Kalo explicou que os terroristas costumam levar os sequestrados como escudos humanos quando fogem de um local.

Antes da invasão do EI em 2014, cerca de 550 mil yazidis viviam no Iraque, concentrados em Sinyar, no norte do país, segundo os dados do departamento de Assuntos Yazidis, fundado pelo governo da região do Curdistão após o massacre.

Pelo menos 360 mil deles foram deslocados à região do Curdistão, principalmente para as Províncias de Erbil, Sulaimaniya e Dohuk, que concentra a maioria dos deslocados por ser a mais próxima a Sinyar. Outros 90 mil yazidis fugiram para países ocidentais nos últimos três anos.

Kalo, que é yazidi e teve de fugir de carro com a família de sua casa em Sinyar para Dohuk, qualificou a situação dos deslocados nos acampamentos de Dohuk como "muito difícil com relação à saúde e psicológico". Ele também destacou que o EI destruiu pelo menos 68 santuários religiosos, onde os membros da minoria praticam os seus rituais.

Para o representante, as minorias no Iraque continuarão sendo vítimas dos conflitos, motivo pelo qual pediu a ajuda dos países ocidentais.

A Comissão Internacional Independente nomeada pela ONU para investigar as atrocidades cometidas na Síria acusou o EI em 2016 de realizar um "genocídio" contra a comunidade yazidi. "Muitos dos yazidis continuam cativos na Síria, onde são submetidos aos mais inimagináveis horrores", destacou o organismo. / EFE

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