AP Photo/Hasan Jamali, File
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Três ativistas sauditas são libertadas pelas autoridades depois de 10 dias presas

Mulheres são defensoras dos direitos humanos na Arábia Saudita e fazem parte de um grupo de dez ativistas detidos pelo governo

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2018 | 16h58

DUBAI - Autoridades sauditas libertaram nesta quinta-feira, 24, três mulheres que fazem parte do grupo de dez ativistas presos no dia 15 de maio. Elas são proeminentes pelo seu trabalho em defesa dos direitos das mulheres e participaram do primeiro protesto contra a proibição de as mulheres dirigirem na Arábia Saudita, em 1990. A Anistia Internacional (AI) e pessoas próximas do caso disseram que as condições sob as quais elas foram libertadas são desconhecidas.

Segundo ativistas e grupos de direitos humanos, sete pessoas (quatro mulheres e três homens) permanecem detidas pelo governo saudita. Eles teriam sido interrogados sem acesso a advogados e puderam realizar apenas um telefonema a seus parentes, há mais de uma semana. Desde então, estão incomunicáveis.

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Vários membros do grupo de detidos são profissionais de sucesso. As mulheres libertadas nesta quinta-feira são especialmente bem vistas em seus campos de atuação. Aisha al-Mana, de 70 anos, tem cargo de diretora no Grupo de Hospitais de Al-Mana e da Faculdade de Ciências da Saúde de Al-Mana. Ela cursou bacharelado e mestrado em sociologia, nos Estados Unidos, e se tornou uma das primeiras mulheres sauditas a obter um PhD, também nos EUA. 

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Hessah al-Sheikh vem de uma família saudita proeminente e é professora da Universidade Rei Saud. Ela é voluntária em diversas instituições de caridade e co-autora de um estudo publicado neste ano sobre a defesa das mulheres de seu país. Madeha al-Ajroush é uma psicoterapeuta na casa dos 60 anos e administra uma clínica particular na capital saudita, Riad. Ela participou da criação de um programa nacional em apoio a vítimas de abuso doméstico e ao treinamento da polícia e dos tribunais sobre como receber e tratar essas vítimas.

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A libertação das três mulheres sinaliza um possível avanço para os que ainda estão presos em um local desconhecido, depois de terem sido transferidos para a cidade de Jiddah, onde o rei, o príncipe herdeiro e os principais funcionários do governo trabalham durante o mês do Ramadã. / AP

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